terça-feira, 31 de março de 2026

Diário de um Robot


João Ribeiro (2025). Diário de um Robot. Porto: Trinta por uma Linha.

É fim de semana. Os robots, placas e computador ficaram em casa. Estou pelas Caldas, a relaxar, passear e aproveitar este bem vindo  sol. Entretanto vou às compras e deparo com este livro. A sério, começo a sentir-me muito perseguido. Desde que comecei a entrar no mundo da robótica educativa que ando com uma sensação estranha de estar sempre a encontrar robots ou referências inusitadas à robótica nos locais onde menos espero. Da última vez foi na livraria Castro e Silva, com uma divertidíssima capa de revista do mestre Vilhena, que como se esperaria, é em iguais medidas sensual e jocosa, só que esta mete robots. Desta vez, foi num supermercado caldense, e claro que o livro veio comigo. Não só pelo tema, mas por ser também essa coisa rara por cá, que é um livro de ficção científica para jovens leitores.

A história é simples, acompanhamos um robot preceptor que tem como missão educar uma rapariga de oito anos que se deverá tornar a futura rainha de um império galáctico. Explorando as aprendizagens na estação espacial que os acolhe, o robot irá guiar a rapariga através das incessantes questões e experiências, e, no processo, perceber que ele próprio se está a modificar, a ganhar uma consciência além da sua programação, bem como algo de estranho que qualquer humano depressa identifica como carinho pela criança que tem a seu cargo. O que leva a história a terminar por caminhos aventurosos - uma jovem que quer fugir ao destino de vida que lhe foi programado e quer explorar o universo, unida a um robot que transcendeu a sua programação graças à proximidade com o humano. 

Um livro simples, mas a mostrar-se da boa ficção científica - bem articulado, a deixar antever horizontes, e a fazer-nos refletir nos papeis da humanidade e tecnologia.