Chris Claremont, Damian Couceiro (2025). Wolverine and Kitty Pryde. Nova Iorque: Marvel.
Nem sempre é bom regressar ao passado. Claremont foi um argumentista de charneira, responsável por ter tornado os X-Men em personagens de sucesso, mas o que lá vai, lá vai. Aqui regressa a uma das suas sagas clássicas, em modo de prequela. Com aquela inspiração tão final dos anos 80 com a cultura japonesa clássica, que levou Wolverine ao Japão, reinventou a frágil adolescente Kitty Pryde numa algo sombria personagem, através de uma daquelas suas típicas narrativas convolutas que envolveu o domínio mental por parte de um sensei malévolo. Neste regresso, Claremont coloca-se entre o ponto final dessa saga e a restante continuidade da personagem, com uma bizarra e explosiva aventura que consegue cruzar samurais míticos e sentinelas superinteligentes. Um regresso explosivo, mas de sabor oco, a mostrar que o brilhantismo clássico ficou no passado (e merece ser revisitado), mas não consegue ser replicado.
Bruno Sarda (1990). Em busca da Pedra Zodiacal. Lisboa: Abril Controljornal.
Regressar à infância? Nem por isso. Cresci com estas bandas desenhadas, mas no formato americano, e as aventuras simplistas que me ocuparam tempos livres na infância são vagas memórias, sem que me tenha apercebido do significado de, por exemplo, Carl Barks. Só mais tarde descobri a outra Disney, a dos desenhadores e argumentistas italianos que ao meu olhar adulto, trouxeram uma curiosa voluptuosidade ao estilo gráfico uniformizado da Disney. De vez em quando sabe bem revisitar este estilismo, para redescobrir uma inusitada elegância num tipo de banda desenhada que foi concebida unicamente para consumo rápido, mas onde os artistas que nela trabalharam conseguiram dotar de um cariz próprio, indo um pouco além do estereótipo esperado.
David Rigamonti, Ivan Calcaterra (2016). Dylan Dog - I colori della paura n. 47: Demoni e silicio. Milão: Bonelli.
Como é que se cria um crossover entre o futurismo de Nathan Never e o momento presente de Dylan Dog? Esta curiosa aventura do investigador dos pesadelos mostra bem como. Estamos no futuro, onde o lendário agente principal da Agência Alfa está a lutar contra um temível e aparentemente insolúvel ataque informático. A resposta encontra-se nas ruínas de uma casa londrina, nas páginas de um diário onde estão as crónicas das aventuras de uma lenda do passado. A partir desse diário, os cientistas da agência Alfa recriam Dylan Dog como uma entidade virtual consciente, que se juntará a Never para combater um demónio no ciberespaço.
Confesso que Nathan Never é personagem que não me despertou as simpatias, apesar de estar no campo da ficção científica, é o tipo de herói infalível de queixo bem modelado em aventuras com final feliz. Dylan Dog, com as suas incertezas e inseguranças, está-lhe no espectro oposto.