segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Earth X





Alex Ross, et al (2001). Earth X. Nova Iorque: Marvel Comics.

Uma revisão ambiciosa do universo Marvel, que se perde numa grandiosidade oca. Earth X leva-nos a um futuro alternativo, onde os heróis de sempre envelheceram, e todos os terrestres se tornaram criaturas com poderes, graças ao efeito inumano. Começa por parecer uma história de combate clássico, com um enfraquecido Capitão América a tentar deter a ameaça de um novo Red Skull, agora um rapaz capaz de controlar mentes que se diverte a conquistar o mundo. Mas depressa a história nos começa a levar por caminho míticos, com todo o universo Marvel a ser revisto à luz de um factor: nos primórdios do universo, seres conhecidos como Celestiais plantaram a sua semente na humanidade nascente, uma espécie de anti-vírus gerador de poderes para garantir a sobrevivência do planeta e o eventual nascer de mais um celestial. Nos tempos de Earth X, chegou a hora do parto, e todo o destino da Terra está em causa. A batalha final será épica, e só a encarnação do filho de Reed Richards como Galactus, cujo verdadeiro papel nos destinos do universo é controlar a expansão dos celestiais, poderá travar este destino final.

A história segue um ponto de vista omnisciente, com o velho Vigia que reside na Lua a guiar um novo vigia para o substituir, como testemunha dos destinos terrestres. É por aí que segue a revisão dos mitos Marvel, com as velhas histórias de origem dos personagens clássicos recontadas face ao panorama geral da série. Os mais interessantes são a revisão dos Asgardianos (e, por extensão, de todos os deuses) como alienígenas sem forma definida que, ao chegarem à Terra, adoptam de tal forma a maneira como os terrestres os concebem que encarnam o papel de criaturas míticas, esquecendo as suas reais origens. Apesar de todo este lado épico, a história é maçuda e arrasta-se ao longo das páginas. O estilo visual opta pelo hierático e soturno, acabando por ser visualmente pesado.

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