terça-feira, 3 de julho de 2018

Mister No: Ovnis na Amazónia



Tiziano Sclavi, et al (2018). Colecção Bonelli #09 Mister No: Ovnis na Amazónia. Lisboa: Levoir.

Quase a finalizar, a Coleção Bonelli da Levoir traz-nos um personagem menos conhecido, clássico no alinhamento da editora, mas vítima da evolução dos gostos do público. Mister No já não é publicado, sobrevivendo apenas no acervo de reedições da casa Bonelli. Personagem clássico, é um aviador americano quezilento, refugiado na Amazónia, onde sobrevive voando ao serviço de clientes, o que lhe granjeia sempre aventuras. Se Martin Mystère é a série Bonelli que melhor replica o estilo narrativo da BD dos anos 50 e 60, Mister No é praticamente uma transposição do herói másculo, rude, com sentido apurado de justiça mas sem perder tempo com boa educação. Um vestígio arqueológico da cultura pop de meados do século XX.

Na primeira aventura, que dá título ao livro, um argumento de Tiziano Sclavi leva Mister No a uma aventura na selva que inclui índios hostis e uma cápsula orbital soviética que aterrou muito longe do local previsto. Uma aventura onde se criará uma amizade inusitada entre um cosmonauta soviético e um ex-piloto militar americano, unidos pela necessidade de sobrevivência. No estilo narrativo que Sclavi viria a aprimorar em Dylan Dog, a história tem uma subtileza inesperada, na forma de um alienígena cujo encontro acidental com a cápsula orbital russa provoca uma colisão que o deixará preso ao nosso planeta.

A segunda aventura, Garimpo, é escrita por nada menos que o próprio Sergio Bonelli, sob pseudónimo. É uma história curta e amarga sobre a vida amoral dos pesquisadores de ouro na selva, e dos seus familiares de pouco escrúpulos.

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