terça-feira, 29 de maio de 2018

Mundo Sem Estrelas


Poul Anderson (1967). Mundo Sem Estrelas. Lisboa: Editorial Panorama.

A tripulação de uma nave de transporte comercial que segue em direcção a uma civilização recém-descoberta no espaço intergaláctico despenha-se num planeta desconhecido, não identificado na sua rota. As hipóteses de salvação são mínimas, é preciso reconstruir um dos salva-vidas para que um dos tripulantes siga até ao planeta de destino e monte uma missão de salvação. Tempo não é problema, os humanos deste futuro são praticamente imortais graças ao progresso da medicina, mas os tripulantes precisam de mão de obra para os ajudar a reparar a nave.

O contato com os indígenas do planeta é inevitável. Seres bípedes inteligentes de aspeto vagamente marsupial, estão divididos em duas grandes facções. Uma, mais selvagem, de tribos livres no hinterland planetário, e outra, com uma civilização de construtores navais que domina as zonas costeiras. Há uma outra espécie inteligente no planeta, anfíbios descritos com aspeto similar a golfinhos com poderes telepáticos, fundadores de uma civilização milenar que fez evoluir por indução mental a outra espécie inteligente do planeta, utilizando-os como os utensílios que a sua morfologia não permite usar. São deuses para os civilizados, e demónios para os selvagens. Esta civilização é estática, teme a mudança, e decide manter cativos os tripulantes da nave acidentada. Estes percebem que a sua única opção é acicatar uma guerra civil que mantenha os seres dominados por telepatas à distância. Tudo isto num planeta de um sistema solar no espaço intergaláctico, sob um céu onde raras estrelas se vêem.

O que segura este livro é a história de Valland, um vagabundo do espaço que se contenta em vaguear pelos sistemas trabalhando a bordo das naves comerciais. Tudo o que quer é regressar ao planeta Terra de vez em quando, ostensivamente para visitar a sua esposa, à qual é tremendamente fiel num futuro onde a fluidez de relações é a norma. Um imortal antiquado, mantém bem vivas as memórias do passado terrestre antes da imortalidade e expansão espacial, com forte pendor para cantar velhas canções do século XX. A sua personalidade gregária e sentido histórico serão o elemento que serve de fio condutor a esta história.

Mundo Sem Estrelas é uma típica obra de aventuras pulp, vinda dos tempos em que a FC se podia permitir voos especulativos imaginários sem grande preocupação de fiabilidade científica. Abundam planetas habitados, todos com atmosfera compatível com os humanos, cheios de vida nativa inteligente, a humanidade tornou-se imortal graças a um soro, e deixa de temer as vastidões do espaço-tempo intergaláctico. Uma leitura divertida para quem conhece o estilo da FC clássica.

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