quarta-feira, 4 de abril de 2018

aCalopsia: Descender



A Ficção Científica é um género que vive muitas mortes anunciadas. Uma visão cíclica, vinda não do poder editorial (as novas edições de FC no mercado internacional não são às pazadas, são mais comparáveis a porta-contentores atafulhados em risco de rebentar) mas de uma certa ideia de estagnação e isolamento face ao mainstream da cultura popular. Algo que se alia à sensação que hoje vivemos em plena science fiction condition, que este género já não tem voz refrescante ou nada que nos desperte as ideias numa era de constante banalização de prodígios da ciência e tecnologia. A contrariar os prenúncios fatalistas, o cinema tem-nos legado excelentes visões de FC no grande ecrã, ou diretamente para os pequenos ecrãs fragmentados da diáspora digital (caso do recente Anihiliation, baseado no romance homónimo de Jeff Vandermeer, relegado para a Netflix por decisão de executivos culturalmente conservadores). A banda desenhada também não foi alheia a este movimento, especialmente graças à Image, que tem dado luz verde aos seus criadores para editarem séries de ficção científica pura. Há dois ou três anos atrás, grande parte dos novos títulos da esditora eram pura ficção científica e especultativa. Um impulso que agora tem perdido alguma força, com o regresso progressivo dos géneros fantasia e crime. As temáticas editoriais são cíclicas, respondendo aos interesses dominantes do público. Crítica completa no aCalopsia: Descender Volume 1.

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