quinta-feira, 15 de março de 2018

Campões: Mudar o Mundo.



Mark Waid, et al (2018). Campões: Mudar o Mundo. Lisboa: Goody.

Até agora, a melhor oferta da coleção Marvel Especial da Goody. Esta nova encarnação dos Champions, um antigo título da Marvel com uma bizarra super-equipa, consegue dar espaço a novos personagens da editora. Numa linha direta com as origens da Marvel clássica, cujos personagens eram essencialmente adolescentes e jovens a tentar fazer sentido de um mundo, por vezes hostil, que os rodeia. Spider Man é o exemplo mais clássico disto, tal como os X-Men originais. A premissa de adolescentes com poderes, a aprender os seus limites e a enfrentar mundos complexos, está bem recriada em novos personagens que se abrem à diversidade étnica. Miss Marvel, adolescente islâmica, é especialmente interessante, bem como o homem-aranha encarnado pelo hispânico Miles Morales ou um segundo Hulk que é asiático. Uma abertura controversa, com a Marvel a procurar novos mercados e leitores, atualizando os seus personagens para o mundo contemporâneo, mas que deixa reticentes os fãs clássicos, habituados ao perfil caucasiano dos super-heróis.

Mudar o Mundo é uma clássica primeira aventura de um grupo de novos heróis, que se forma a partir do desencanto de alguns com as equipes de heróis tradicionais, vistas como incapazes de responder ao que sentem ser os verdadeiros desafios do mundo moderno. A sua primeira missão leva-os ao Paquistão, para defender um aguerrido grupo de raparigas da pressão de terroristas islâmicos, que dominam a região e as querem impedir de ter direito à educação, saúde ou liberdade. Estes heróis fazem-no de forma discreta - é um momento brilhante e inesperado nos comics, quando o argumentista coloca as vítimas a recusarem a ajuda dos poderosos porque iriam criar a ideia que são frágeis e dependem de ajuda exterior para se defenderem. São temas algo inesperados para um comic de super-heróis.

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