quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Sobrenatural


Samir Karimo (2016). Sobrenatural

Há uma curiosa inocência neste livro fragmentário, a de uma voz que procura o seu caminho. Sobrenatural é um livro pouco consistente, mas muito surreal, feito de textos em fragmento que oscilam entre o pensamento solto, a narrativa em associação livre e a recolha onírica. Nota-se que Karimo tem entusiasmo e vontade experimentalista no que escreve, apesar de alguma inexperiência que se traduz em textos a precisar de afinação. Apesar das inconsistências, de alguns fragmentos do texto que poderiam, a bem do livro, ter ficado de fora (toda a parte final, de rascunhos claramente titubeantes, não traz nada à obra), ou de alguns problemas ortográficos que se nuns casos se percebia serem palavras experimentais bem conseguidas, noutros não, intrigou-me o surrealismo de associação livre desta obra. Um bom exemplo do que se intui sobre a capacidade do autor é o conto Valquíria, um mimo de associação livre, deliciosamente desconexo, com alguns coloquialismos de linguagem deselegantes mas, no final, a deixar ao leitor uma boa memória.

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