terça-feira, 4 de outubro de 2016

O Enciclopedista


John Brunner (1983). O Enciclopedista. Odivelas: Europress.

Os habitantes de uma colónia distante são obrigados a fugir quando a estrela do seu sistema solar se transforma em supernova. Os sobreviventes fogem em todas as direcções, e alguns dão por si no espaço profundo, longe de possibilidades de resgate por parte de outras colónias. Com as naves danificadas e as provisões a esgotarem-se, aterram no primeiro planeta que lhes permite sobreviver. As naves ficam danificadas para além de qualquer reparação na aterragem, e as condições de vida planetária não são as desejáveis. Se o planeta é habitável, a fauna planetária é perigosa. Mas o maior problema é como grupos de pessoas habituadas ao tipo de vida possibilitado por uma sociedade interconectada conseguirão sobreviver sem acesso a fábricas, com equipamentos tecnológicos falíveis e sem especialistas científicos. Por sorte, um dos sobreviventes é um enciclopedista, um homem especialmente treinado para analisar e aconselhar a melhor forma de colonizar um planeta. Não sendo a missão original deste enciclopedista, cujo treino nem sequer está completo, vê-se forçado a ajudar os sobreviventes a estabelecer uma colónia, aprendendo a utilizar os recursos disponíveis para alimentação e abrigos, resolvendo as tensões internas entre indivíduos levados aos seus limites, e enfrentando a impossibilidade de fuga, uma vez que as poderosas naves espaciais onde fugiram à estrela que os ia matando se encontram irreparáveis.

Um romance de Brunner, Polymath no seu título original de 1963, que ainda não está no nível literário de um Stand on Zanzibar ou The Sheep Look Up. Uma narrativa firme e ritmada torna esta leitura imparável. Por detrás de um tipo de história clássica da FC, estão interessantes reflexões sobre equilíbrios ecológicos, interdependência tecnológica e problemas psicossociais em populações isoladas.

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