terça-feira, 2 de agosto de 2016

Tokyo Ghoul Vol.1


Sui Ishida (2016). Tokyo Ghoul Vol.1. Palmela: Devir.

Não é um tema novo. A metáfora do monstro simboliza aqui a clássica tensão da adolescência, entre sentimentos de inadequação pessoal e social, de adaptação e pertença a grupos, de um corpo em mutação. É óbvio, mas para quem mesmo assim não perceber sobre o que realmente é esta historia com um jovem adolescente que se descobre meio monstro, Ishida revela logo o paralelismo com Kafka nas primeiras páginas.

A história em si não é especialmente cativante. Há bem melhor no horror nipónico, mas apela ao público alvo com óbvio sucesso. O mergulho do adolescente no mundo secreto e violento dos Ghouls que assombram Tóquio segue o percurso previsível de susto, surpresa, choque e progressiva integração, com o sentido de manutenção do lado humano sempre presente. O maior ponto de interesse desta série é a forma como Ishida domina o lado técnico do mangá. Não a técnica de desenho, que não é particularmente interessante, mas a gramática de enquadramentos e estruturação do ritmo de leitura.

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