quinta-feira, 28 de abril de 2016

Sombre Est L'Espace


Jacques Hoven (1973). Sombre Est L'Espace. Paris: Fleuve Noir.

Um pouco de especulação pulp vinda da colecção clássica da FC francesa. Este espaço sombrio desenrola-se como uma cobra que irá morder a sua cauda. Num daqueles futuros cheios de foguetões que aterram em qualquer lado, patrulhas espaciais e intrépidos viajantes pelas vias estelares, uma nave tripulada por aventureiros é alugada para um serviço muito especial. Desbravar as fronteiras do sistema de Sirius, zona perigosa, cheia de anomalias espácio-temporais que induzem estados de surrealidade, a pedido de um grupo de arqueólogos que, nos Andes, descobriu um misterioso artefacto que aponta para a origem alienígena das culturas humanas.

Perto das ruínas de Tiahuanaco, numa escavação de um vulcão adormecido, é encontrada uma nave espacial soterrada há milénios, com os vestígios de um tripulante humanóide e mapas estelares que indicam que terá partido da constelação Sirius. As lendas de gigantes vindos do espaço que construíram as misteriosas edificações megalíticas parecem ganhar um novo alento. Mas Sirius revela-se um sistema cheio de planetas inóspitos, com o mais promissor habitado por formas de vida vegetais que têm o hábito pouco simpático de converter outras formas de vida em vegetação alienígena. Apanhados numa tempestade nos espaços, os aventureiros mergulham num hiperespaço sem rumo aparente que os leva a um planeta desconhecido. Perdidos, com a nave avariada e incapaz de regressar ao espaço, vão utilizando a tecnologia para tornar mais confortável a zona desértica onde aterraram, inspirando-se na arquitectura pré-colombiana para construir abrigos em pedra cortada com potentes lasers, que deixam estarrecidos os nativos humanóides do planeta desconhecido. Quando uma explosão vulcânica soterra a nave espacial, os aventureiros apercebem-se que regressaram à Terra num passado longínquo, são eles a origem das lendas sobre gigantes vindos do espaço que ajudaram a civilizar a humanidade primitiva, e a própria nave e os seus mapas os artefactos que os lançaram na missão a Sirius, em busca de resposta aos enigmas.

Leitura divertida, que se entretém a colidir as hipóteses dos supostos traços de astronautas alienígenas nas culturas pré-colombianas com a vertente de narrativas de viagem no tempo em que os efeitos precedem e provocam as causas. Não se distingue pelo lado especulativo, com uma visão clássica de naves movidas a motor de foguetão que saltam por hiperespaços, alimentadas por cristais miraculosos que resolvem problemas de energia. Mas o seu objectivo não é ser Hard SF, antes FC pulp de entretenimento, com a construção narrativa a sobrepor-se à qualidade especulativa.

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