quinta-feira, 7 de abril de 2016

Dawn

 

Yoshiki Tanaka (2016). Legend of the Galactic Heroes,vol. 1: Dawn. São Francisco: Haikasoru.

Esta é uma edição algo inesperada da Haikasoru. Não por si, mas pela temática. Esperamos FC militarista clássica e o que nos sai... não se enquadra nos ditames clássicos desta vertente da FC. Ao contrário do que o título nos indica, não iremos acompanhar heróicos aventureiros nas batalhas espaciais pelo controle de uma galáxia. Há acção, com descrições de grandiosas batalhas entre poderosas frotas estelares, mas não é esse o cerne deste livro, com uma abordagem mais cerebral ao género.

No livro, com a Terra como planeta semi-esquecido e longínquo numa galáxia ocupada por uma vasta humanidade, domina um império de recorte fascista, combatido por uma aliança democrática que conseguiu estabelecer-se no seu próprio território. Resta um planeta livre, zona franca económica, para servir de fiel de balança, e que de facto, por via da acumulação de riqueza, tem um poder superior ao dos dois blocos em oposição.

Por esta descrição, já se percebe que o foco do livro não está na aventura espacial mas nas tácticas e geoestratégia. É aí que reside a acção, com um mundo ficcional construído para sublinhar os movimentos militares, a necessidade de escapar aos espartilhos da ortodoxia no pensamento táctico, mas também das manobras políticas, dos pontos fracos dos sistemas político-económicos. Acompanhamos as acções de dois comandantes militares, um imperial e outro rebelde, cuja capacidade de pensar fora dos limites convencionais os colocam quer como vencedores de batalhas, quer como comandantes capazes de salvar os seus soldados dos piores desastres provocados pela fraca competência dos seus superiores.

É curioso notar que o Império galáctico é dominado por nomes germânicos, enquanto a aliança livre revela uma maior diversidade, escapando a um expectável pendor asiático. Traços da memória histórica da II Guerra, catastrófica para o Japão?

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