terça-feira, 26 de janeiro de 2016

FreakAngels (#02; #03)


Warren Ellis, Paul Duffield (2009). FreakAngels Volume 2. Rantoul: Avatar Press.

Expiação é o tom dominante deste segundo volume de Freakangels. Warren Ellis aprofunda mais as personagens, definindo melhor cada uma, e dá-nos vislumbres progressivos dos poderes psiónicos dos Freakangels, retratados nalgumas vinhetas como uma espécie de Children of the Damned em versão pós-punk. Somos também levados  conhecer melhor o apocalipse que inundou a Grã Bretanha e teve consequências ainda não deslindadas no resto do mundo, pondo um fim à civilização tal como a conhecemos. o evento catastrófico foi induzido pelos freakangels, que expiam as consequências do seu acto mantendo em Whitechapel uma ilha de relativa prosperidade num mundo arruinado. Algo sublinhado numa narrativa focada na reacção a um ataque de um grupo de refugiados desesperados, que obriga os Freakangels a repenseram os seus limites para tentar minorar um pouco mais o sofrimento que causaram à humanidade.



Warren Ellis, Paul Duffield (2009). FreakAngels Volume 3. Rantoul: Avatar Press.

É interessante notar como Ellis, por intermédio de Paul Duffield, utiliza a luz para sublinhar os estados colectivos de alma nesta série. Há um optimismo utópico na primeira parte, com os Freakangels a encontrar soluções engenhosas para albergar, alimentar e manter em boa saúde os que se refugiam em Whitechapel. Até se fala em trazer de regresso a música. Mesmo um assassínio sangrento não quebra esse optimismo, que só começa a ceder quando um dos Freakangels é condenado pela sua tendência de usar os seus poderes para controlar pessoas. No entanto, o assassínio, cometido ao estilo de Jack o Estripador (Whitechapel é um bairro com história), acaba por revelar o início de algo muito mau, com o regresso de um Freakangel renegado.

A transição é simbolizada pela atmosfera, com um sol luminoso a sublinhar o progressismo utópico de recuperação das catástrofes, e uma cinzenta tempestade que se abate quando as coisas começam a correr mal. Axiomática é a linha narrativa que se centra nas capacidades dos Freakangels, na sua relutância em explorar os seus limites, sujeitos a um código de ética peculiar que os impede de se tornarem quase divindades, dominadores dos inferiores humanos. Mas nem todos os Freakangels pensam desta forma.

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