quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

História das Terras e Lugares Lendários



Umberto Eco (2015). História das Terras e Lugares Lendários. Lisboa: Gradiva.

Neste livro a sabedoria enciclopédica de Umberto Eco mergulha-nos nas maravilhas dos lugares de mito que têm fascinado a humanidade. Não os imaginários da literatura, para isso teremos que consultar um outro vasto tomo. Eco selecciona aqueles que sendo imaginários, se tornaram mitos tidos como credíveis por aqueles que procuram compreender o mundo fora dos limites físicos.

Estes lugares de fantasia são, como não poderia deixar de ser, os suspeitos do costume. As terras e périplos dos mitos gregos e bíblicos, as geografias da antiguidade, as lendas de terras desaparecidas da idade média, mitos arturianos, metáforas da tradição hermética e delírios das geografias alternativas. Eco leva-nos à Atlântida, ilhas misteriosas, Shamballa, Terras Ocas, Castelos do Graal, e outros sítios que, mesmo sabendo-os imaginários, gostamos de os conceber como reais nem que sejam noutros tempos  e espaços. Eco mistura a sua sabedoria com citações directas das fontes primárias num livro profusamente ilustrado, uma delícia para a mente do leitor.

Das terras que Eco nos fala, gostaria de sublinhar uma especialmente curiosa. Para aqueles de entre nós cuja barriga está cheia, ou pelo menos bem confortada, os paraísos podem ser metafísicos, de contemplação dos valores mais elevados da alma humana. Para os restantes, aqueles que estão na mó de baixo de um mundo que teima em ser desigual, o paraíso são as terras de Cocanha, onde os rios são de vinho, a comida cresce nas árvores e os campos estão pejados de ouro e pedras preciosas. É uma manifestação intemporal da pirâmide de Maslow. Somos humanos, e para poder tentar voar alto temos de ter as bases minimamente satisfeitas.

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