terça-feira, 4 de agosto de 2015

Recuando de mansinho


Adoro o título desse livro. Há muitos dias em que me sinto assim, diz, simpática e sorridente, a funcionária da livraria. Somos todos um pouco marcianos, não acha? Sublinho simpática. Os resquícios de machismo latino tentam condicionar-nos para interpretar qualquer sorriso feminino como uma confissão lasciva de desejo, mas felizmente estamos no século XXI. E sou um autómato social, que ao longo dos anos mecanizou um conjunto de técnicas automáticas que me permitem sobreviver à larga maioria das interacções sociais.

Ou de Plutão, respondi. Ah, às vezes de Vénus, Urano, Saturno... depende de casa está a Lua, continua a sorridente funcionária enquanto processa o pagamento. Ainda pensei em dizer que este não é esse tipo de livro, é sobre ciência e ficção científica, mas preferi o silêncio. Astrologistas. Têm tendência a tornar-se perigosos sempre que alguém lhes aponta o óbvio. Que os astros são corpos celestes, e não influências decisivas na sorte ou personalidade de cada um. Terminei o pagamento, e fui recuando de mansinho, sempre a sorrir, recuando de mansinho, a sorrir.

Para já, o melhor do livro são as últimas páginas. Tranquilizem-se, não é critica. Ainda não iniciei a leitura. Mas nas últimas páginas está a listagem de todos os títulos da colecção Ciência Aberta da Gradiva. É bom ver que a linha editorial que me permitiu aceder a tantos livros fundamentais para a minha formação pessoal se mantém viva e dinâmica.

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