quinta-feira, 16 de julho de 2015

Rocketship X-M


Um clássico do cinema de ficção científica, que consegue reunir o melhor e o pior do género em filme de série B. Do melhor destacaria o optimismo contagiante e inocente, um espírito de época que mistura visões algo ingénuas de progresso com uma confiança cega na ciência e tecnologia. Quanto ao pior... tudo o resto.

É impossível levar a sério um filme que alegremente ignora a ciência mais elementar. A preparação dos astronautas para uma missão à lua fica-se por umas picadelas para testes de sangue, antes da descolagem fumam e bebem álcool com jornalistas. Ir ao espaço não requer fatos de astronauta, casacos de aviador servem muito bem, mesmo como fato protector para explorar uma superfície planetária. O esforço físico da aceleração para velocidade de escape resolve-se com uns beliches e a imponderabilidade coloca casacos a flutuar mas mantém as gravatas dos astronautas firmemente a apontar para o chão. O momento de crise do filme surge quando os motores do foguetão páram, por um erro no cálculo das misturas de combustível. Este momento deve deixar engenheiros astronáuticos com paroxismos de fúria. Resolver o erro causa tanta aceleração ao foguetão que ultrapassam a órbita Lunar e dão por si a caminho de Marte. O desconhecimento da mais elementar astronomia é gritante. Aterrar em Marte não dá problemas de maior, e a atmosfera marciana só requer umas garrafas de oxigénio. Marte alberga as ruínas radioactivas de uma civilização avançada, cujos sobreviventes decaídos à idade da pedra irão matar dois membros da tripulação do X-M. Regressar à Terra revela-se mais catastrófico, uma vez que o combustível não chega para a aterragem e o foguetão despenha-se, havendo ainda tempo para que os sobreviventes da expedição relatem o que descobriram na superfície marciana e encontrarem o amor (um dos elementos da tripulação é uma fria cientista que acaba por ceder aos másculos encantos de um dos pilotos).

Cruzes credo, que neste filme a preocupação com consistências, plausibilidades e verosmilhança, ou até ciência elementar, oscilou entre o nulo e o inexistente.

Confesso que nisto aquele que me pareceu o melhor momento foi ver o piloto olhar pela escotilha para o planeta Terra, contemplado o oceano Índico à procura do Texas. O piloto. Porque, como se sabe, os pilotos nunca na vida tocam em mapas. Percebe-se a ideia da cena, mostrar que na vastidão do espaço até os wide open spaces do oeste americano são grãos de poeira no oceano cósmico. Mas um piloto que olha para a Índia e pergunta where is Texas... bolas.

Para além do deslumbramento pueril com a ciência de foguetões, fiel ao espirito da época, Rocketship X-M consegue ainda conter uma mensagem pacifista sobre os perigos da guerra atómica. Clássico da FC de série B, vale a pena ser visto como artefacto que caracteriza uma época marcante na cinematografia do género.

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