quinta-feira, 11 de junho de 2015

Dylan Dog: Io, Il Mostro; Il Giudizio Del Corvo.


Pasquale Ruju, Giovanni Freghieri (2012). Dylan Dog #310: Io, Il Mostro. Milão: Sergio Bonnelli Editore S.p.A..

Uma história muito entediante sobre uma rapariga cuja empatia contagiante desperta paroxismos suicidas ou homicidas naqueles que dela se aproximam. Um suplício de levar até ao fim, e não me refiro aos suplícios infligidos sobre os pobres personagens.


Roberto Recchioni, Daniele Caluri (2012). Dylan Dog #311: Il Giudizio Del Corvo. Milão: Sergio Bonnelli Editore S.p.A..

Desde que Tiziano Sclavi iniciou as aventuras deste detective dos pesadelos que a marca do cinema de terror aparece vincada nas histórias. É um dos elementos de erudição cultural que, a par com a literatura clássica de terror e a cultura pop, deram uma dimensão extra ao personagem e o tornaram um dos grandes do fumetti. Na era pós-Sclavi esta erudição diminuiu assinalavelmente, e nalguns casos desaparece por completo. É normal, faz parte da vida de um personagem que transcende a carreia do seu criador. Dos argumentistas que têm pegado no Old Boy após Sclavi apenas Recchioni se tem distinguido por saber dar essa dimensão extra de substrato cultural que com Sclavi era magistral. Este é um desses casos, com uma aventura a remeter para a cinematografia de torture porn. Num enredo similar aos milhentos Saw, Dylan é obrigado a cometer atrocidades para salvar uma vítima de rapto. O desafio está em abandonar os seus escrúpulos e valores morais, fazendo o que é necessário para salvar a vítima a tempo. Claro que Dylan consegue sempre ultrapassar a lógica binária dos desafios mortais, mostrando que consegue resolver as piores situações e, se preciso for, sacrificar-se para não ir contra os seus valores humanos. Julgado por um homem disfarçado de corvo, é considerado justo e apto. A vítima é libertada, mas não está pelos ajustes. No volte-face final da história a suposta vítima é afinal quem orquestrou o ordálio de Dylan, para se vingar do assassínio da mãe às mãos de um serial killer que Dylan travou e enviou para um manicómio. Uma boa leitura, talvez demasiado decalcada dos filmes de torture porn, mas a mostrar que Dylan Dog pode manter-se como personagem intrigante. Não é por acaso que Recchioni é também o argumentista por detrás do potente Mater Morbi.

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