segunda-feira, 8 de junho de 2015

Comics


Arcadia #02: Delírios de cyberpunk em movimento. Ou como, num mundo virtual, a maneira mais crista da onda de viajar é ser comprimido num ficheiro zip e transferido através de um protocolo de transferência de ficheiros. Arcada está no cruzamento entre Snow Crash e Walking Dead, não pelos zombies, que não tem, e agradecemos por isso que os mortos vivos já perderam todo o interesse. É-o pelo conceito da humanidade reduzida a uma minoria de sobreviventes de uma pandemia que mantém vivos os simulacros digitais dos falecidos em gigantescas quintas de servidores.


War Stories #09: Spoilers, dears (repitam isto com a vossa voz interior a entoar a pronuncia da River Song): os civis sobrevivem, escapam da Prússia acossada pelo exército vermelho, e vivem para contar a história. Que não é uma de heroísmo. Os seus salvadores, andrajosos restos da Wermacht que tentam sobreviver ao cilindro soviético, foram tão torcionários como os seus agora carrascos o são quando estavam a vencer. Não há heroísmos em guerras sujas, genocidas, onde homens que se viam como superiores não tinham qualquer escrúpulo em aplicar as piores selvajarias àqueles que viam como inferiores, menos que humanos. E este, que Ennis tão bem retrata, é o momento em que as ilusões se desfazem, o véu da ideologia se levanta, e aqueles que acreditaram numa falsa verdade se apercebem da real profundidade do caos em que se encontram imersos.


Airboy #01: Airboy é uma daquelas personagens clássicas de comics que, volta e meia, tentam ser ressuscitadas por editoras em busca de propriedade intelectual lucrativa. Se não me engano, a Archaia e a AP Press fizeram algumas experiências que não pegaram. A matéria base não é das mais promissoras. Airboy é um rapaz adolescente que combate nazis na II Guerra com ajuda de Birdie, o seu avião inteligente que voa batendo asas. Para além de eliminar nazis tem ainda de se haver com Valkyrie, a sua nemesis, uma sedutora vilã de decote generoso. Um rapaz e o seu aviãozinho contra os decotes generosos de uma mulher imperiosa é tema para inúmeras análises psicoterapêuticas. Esta variante da Image distingue-se por... bem, digamos que não tem aviões e o personagem só aparece na última prancha. Até lá acompanhamos um argumentista de meia idade sem ideias a quem é entregue o projecto de renovação do personagem, que junto com o seu ilustrador luta contra a falta de inspiração. Mergulhando numa orgia de álcool, cocaína e sexo casual. Faz sentido. Um comic estranho, hilariante e over the top em todas essas boas maneiras erradas. Vamos ver como progride.

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