segunda-feira, 15 de junho de 2015

Comics


Batman #41: Momento WTF DC Comics!? O cavaleiro das trevas foi reinventado como uma espécie de Transformer com... orelhinhas de coelho? Srlsy? Depois de todo o trabalho que Scott Snyder teve a actualizar o cânone do personagem com imenso cuidado com as suas raízes, temos esta consequência do mega-evento da DC deste ano. Resta saber se será catastrófica ou se até irá funcionar. Mas a dissonância cognitiva de ver Batman transformado num uniforme robótico tripulado pelo inspector Gordon é muito grande. Esta revitalização pode ser interessante, mas suspeito que mais cedo ou mais tarde o bom e velho Bruce Wayne e o uniforme clássico irão regressar. É uma metodologia que está no adn das editoras de comics.


Constantine: The Hellblazer #01: Se o novo Batman soa a estranho, este Constantine parece ter sido revitalizado aprendendo as lições do completo falhanço que foi a série anterior. Depois de 300 números de Hellblazer, sempre em grande qualidade, a tentativa de trazer o personagem para a vertente mais comercial e super-heróica da DC foi de bradar aos céus. Não funcionou, porque o personagem não se presta ao simplismo das capas e dos raios lançados das mãos. Por esta nova primeira edição parece que há um compromisso entre a imagem simplificada de Constantine e a complexidade moral de Hellblazer. Pormenores curiosos: o grafismo foi entregue a Riley Rossmo, cujo estilo não se enquadra no mainstream da DC. O trabalho extraordinário deste ilustrador esteve patente nas séries Green Wake, Bedlam e Dia de Los Muertos editadas pela Image. O argumento está a cargo de James Tynion IV, que tem assinado para a Boom! Studios os interessantíssimos The Woods, UFOlogy e Memetic. Com sorte, Constantine voltará a tornar-se uma refência nos comics de qualidade.



Nameless #04: Completamente à solta, sem rédeas editoriais, Grant Morrison pode dedicar-se a estruturas narrativas tão esotéricas que roçam a incompreensibilidade. Que é um pouco um dos encantos deste argumentista. O outro é a forma selvática como solta o bizarro no imaginário. Não é facilmente compreensível para o leitor o que se passa neste Nameless. Será uma alucinação do personagem principal? Estarão de facto astronautas nas cavernas do asteróide que se aproxima da Terra? Terão sido capturados e desfeitos em pedaços, mantidos vivos como bonecos animatrónicos pelos alienígenas vingativos? É desesperante, porque todas estas hipóteses são viáveis e exploradas por um Morrison que se compraz em não poupar o leitor com a complexidade barroca da estrutura das suas histórias.

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