segunda-feira, 11 de maio de 2015

Comics


Arcadia #01: O cyberpunk clássico vivo e de boa saúde nesta nova série da Boom! Studios. Depois de uma pandemia global quase ter exterminado a humanidade os sobreviventes mantém gigantescas quintas de servidores que albergam as cópias digitais da humanidade desaparecida, artificialmente vivas num planeta Terra virtual apelidado de Arcádia. Se bem que o utopismo bucólico do classicismo de et in arcadia ego não se coaduna muito com cyber-distopias, mas enfim. O arranque foi intrigante, com a divisão entre um real e um virtual que se assume como real, cujos simulacros pretendem claramente ser mais do que meras linhas de código a correr num super-computador complexo para encontrar uma cura para o vírus pandémico e construiram uma réplica do seu mundo real, ao estilo Matrix. Curiosa, esta premissa de as classes empobrecidas ficarem reduzidas à condição de avatares de baixa resolução. Vivemos hoje num mundo que, em muitos aspectos, se assemelha em demasia às distopias cyberpunk. Será intrigante ver como se desenrola esta série de premissas clássicas onde intervém a sabedoria trazia ex post facto pela pervasividade contemporânea do digital potenciaso pelas redes de telecomunicação.


Afterlife With Archie #08: Se esta cena parecer familiar... é porque o é. Aguirre-Sacasa e Francavilla aproveitam este oitavo número desta brilhante série para homenagear The Shining, mais a venerar Stanley Kubrick que a piscar o olho a Stephen King. Os sobreviventes de Riverdale refugiam-se num hotel com o seu quê de Overlook e Archie consome as suas mágoas com um fantasmático Jughead a canalizar Lloyd, o arrepiante barman do hotel do filme The Shining. Há mais referências polvilhadas ao longo da edição, com quartos assombrados e uma cena com skates a fazer a obrigatória vénia à fabulosa cena do filme em que Danny, correndo pelos longos corredores no seu triciclo, se depara com as gémeas arrepiantes.

Acabei que reparar que as iniciais do realizador e do escritor são as mesmas. SK,SK. Coincidência? Creio que não, digo com voz sepulcral.


The Names #09: E, numa simples vinheta, a constatação daquilo que torna The Names uma série com uma premissa tão interessante. Esta incredulidade de uma mente humana habituada à lentidão milenar de um progresso turbinado pela explosão de velocidade do mundo computacional. O mundo em que vivemos é mesmo assim, estruturado por algoritmos complexos que reflectem escolhas de decisores e programadores que desconhecemos. Mas ainda nos imaginamos num mundo em que a decisão do indivíduo é fundamental. Quanto à série, termina de forma apressada e amarfanhada, tal como Hinterkind. Suspeito que a Vertigo ande a limpar a casa para mais uma revoada de séries.

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