sexta-feira, 3 de abril de 2015

Materializar o digital com os Artenautas da Liberdade


Mesa preparada para a apresentação Impressão 3D: Materializar o Digital, parte do painel O Software: A Liberdade para criar em 2D e 3D dinamizado pelo Prof. Vítor Cardoso, onde se mostraram projectos correntemente dinamizados pelos seus alunos e ex-alunos de mestrado e doutoramento (que é o meu caso).

Após uma introdução ao conceito de software como abstração pelo Prof. Vítor Cardoso , Paulo Nunes apresentou o portal BabelX3D, discutindo conceitos ligados ao software livre. Em seguida, o Prof. Vìtor Cardoso apresentou os projectos eCOArt de José Fialho, um mundo virtual 3D dedicado à pedagogia da história de arte, e Villa Romana de S. Cucufate, projecto de André Silva que está a recriar em Blender, Sketchup e Unity uma visualização deste local arqueológico. De S. Paulo, via skype e OpenSim Isa Seppi apresentou a ilha virtual dedicada às artes performativas que está a desenvolver nesta plataforma. Para terminar, apresentei algumas notas muito preliminares sobre aventuras na impressão 3D, falando um pouco da tecnologia, de como criar para impressão 3D, e questionando quais os seus potenciais pedagógicos, sublinhando que ainda é cedo para respostas e certezas, mas que é importante que os alunos tomem contacto e se apropriem desta tecnologia (tal como de outras) para desenvolver a sua criatividade. Levei objectos impressos que passaram entre as mãos dos participantes, que ficaram cativados com esta tecnologia. Infelizmente não pude trazer nenhum dos objectos criados e impressos pelos meus alunos. Tenho o hábito de os entregar aos criadores finda a impressão.

De certa forma, encerrei um círculo. Depois do software como abstração e das deslumbrantes virtualidades intangíveis em 3D, com todas as suas possibilidades de interacção, criação e descoberta, mostrei o percurso inverso, o imaginar e criar virtualmente para materialização em objectos físicos. Na verdade, por deslumbrantes que sejam as virtualidades, não lhes podemos tocar. Estamos sempre separados pelo ecrã. Nem a realidade aumentada, nem os sensores de realidade virtual nos podem fazer mais do que criar a ilusão da fisicalidade do virtual. A impressão 3D, ainda incipiente apesar de já não ser uma tecnologia nova, possibilita essa materialização, o toque que nós, humanos que somos, tanto necessitamos.

O painel decorreu no dia 2 de abril de 2015 na Casa do Brasil, Santarém, durante o encontro Arte e Educação Os Artenautas da Liberdade, organizado pelo Mestrado em Arte e Educação da Universidade Aberta (UAb) e do CIAC, Centro de Investigação em Artes e Comunicação, em parceria com a Câmara Municipal de Santarém. Deixo a minha parte da apresentação e as notas. Não sei se a apresentação final, que colige todas as intervenções, será disponibilizada.


Impressão 3D: Materializar o Digital

Slide 1: Identificação do painel e evento

Slide 2: A tecnologia de impressão 3D, ou manufatura aditiva, é apontada como mudança paradigmática (Winnan, 2013) com uma gama crescente de aplicações industriais, científicas, económicas e lúdicas (Lipson & Kurman, 2012). Que mais-valias esta tecnologia poderá trazer aos processos de aprendizagem? Intuímos que poderá ter potencial e queremos perceber como dela tirar partido para a aprendizagem. Iniciámos um caminho de procura de estratégias concretas de adaptação à sala de aula, em contextos interdisciplinares e integração com as metas curriculares de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). Esta é uma área recente, com pouca literatura sobre experiências educacionais. Registam-se abordagens que incidem nas artes e CTEM (Thornburg, Thornburg, Armstrong, 2014) com projectos simples, requerendo poucos conhecimentos de modelação e integrando saberes de diferentes áreas para conceção e impressão em 3D de objetos para jogos matemáticos, módulos de pavimentações, elementos de sólidos ou engrenagens funcionais (Eisenberg, 2013).

Slides 3 e 4: Analisámos e implementámos três opções de utilização rápida pelos alunos: 3D scanning, modelação por primitivos, e modelação rigorosa em Sketchup Make. O 3D scanning permite digitalizar objectos físicos a partir de fotografias e aplicações de fotogrametria. Modelação por primitivos é um dos mais antigos processos de modelação em 3D, através da justaposição de formas geométricas para modelar objetos complexos. Utilizar o Sketchup Make para modelação 3D é uma das mais populares opções entre os nossos alunos, requerendo rigor e atenção à integridade do modelo durante a modelação.

Slide 5: Integrar da impressão 3D tornou-se possível com a aquisição de uma impressora de filamento Beethefirst. No nosso contexto específico, interessava-nos um produto simples de usar, acelerando a utilização com alunos em sala de aula. A utilização decorre em duas vertentes: como recurso de apoio a projectos interdisciplinares, e na disciplina de TIC na sequência da aprendizagem de modelação 3D elementar na abordagem das metas curriculares (Coelho, 2014). Slide 6: É ainda prematuro tirar conclusões concretas sobre o potencial da impressão 3D, estando abertos caminhos de exploração. A abordagem lúdica suaviza o esforço na aquisição de competências de visualização tridimensional, estando os nossos alunos já a materializar o trabalho desenvolvido virtualmente, trazendo-o do ecrã do computador para o domínio do real.

Referências bibliográficas:
(2014). Beethefirst Quick Start Guide. Aveiro: Beeverycreative. Obtido a 03 de março de 2015 de https://www.beeverycreative.com/wp-content/uploads/2014/08/BEEmanual-EN-PT-DE-2014-05-19.pdf.

Coelho, A. (2014). Tecnologias 3D nas TIC: Projeto 3D Alpha. in Miranda, G., et al, Aprendizagem Online Atas Digitais do III Congresso Internacional das TIC na Educação (pp. 255-259). Lisboa: Instituto da Educação da Universidade de Lisboa.

Eisenberg, M. (2013). 3D printing for children: What to build next? in Read, J., Markopoulos, P., International Journal of Child-Computer Interaction, vol. 1, n.º 1 (pp 7-13). Obtido a 03 de março de 2015 de http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2212868912000050.

Frauenfelder, M. (2013). Make: Ultimate Guide to 3D Printing 2014. São Francisco: Maker Media. 

Lipson, H., Kurman, M. (2012). Fabricated: The New World of 3D Printing. Indianapolis: John Wiley & Sons.

Thornburg, D., Thornburg, N., Armstrong, S. (2014). The Invent To Learn Guide to 3D Printing in the Classroom: Recipes for Success. CMK Press.

Winnan, c. (2013). 3D Printing: The Next Technology Gold Rush. Amazon Digital.

Foi um prazer ter visitado pela primeira vez a Casa do Brasil, depois de oito anos a residir em Santarém. Cruzar-me com o Prof. Vítor Cardoso, a quem tanto devo (foi ele que há uns anos me disse olhe, já conhece esta tecnologia chamada VRML? e com isso me despertou para imensas possibilidades e desafios) e os seus alunos, que partilham a aventura da educação digital em 3D, e partilhar experiências com os participantes no encontro de Arte e Educação, um grupo que inclui docentes e investigadores ligados às artes. É sempre bom quando pessoas de diferentes áreas cruzam os seus conhecimentos e experiências. E, hey, Santarém. Espaços de memórias dos tempos que lá passei, ter o ritual de ir às Portas do Sol contemplar o rio, calcorrear aquelas ruas centenárias que mudaram tão pouco desde a sua descrição no livro As Viagens Na Minha Terra de Almeida Garrett. Um dia teria piada ir fazer qualquer coisa destas à ESE de Santarém, a minha alma mater.

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