quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Leituras

What ISIS Really Wants: Leitura longa, mas vale a pena. O barbarismo do Estado Islâmico horroriza-nos, o facto do caos que se vive no médio oriente ter possibilitado o ressurgir de fanatismos cada vez mais exacerbados choca-nos, mas para lá dos vídeos de decapitação ou imolação de prisoneiros e reportagens dos combates no terreno, o que é que sabemos sobre a lógica do grupo? É algo que este artigo analisa a fundo. Como surgiu, e qual a lógica por detrás das suas acções, que assentam numa interpretação arcaica mas rigorosa das profecias originais. Mas talvez o melhor do artigo, em termos de metáfora, é quando compara o Estado Islâmico ao que aconteceria se algum dos famosos líderes de seitas suicidas tivessem realmente tomado conta de algum território. Curiosamente, deter território é precisamente o que justifica e legitima a existência destes bárbaros como califado auto-proclamado. Crentes firmes no apocalipse, não estão de facto interessados em existir como estado no sentido clássico do termo. Anseiam, talvez, pela imolação sob as balas, crentes numa derrota final face aos cristãos que trará um apocalipse final.

The Anti-Information Age: A internet tem uma aura de ferramenta libertária que dá a voz aos mais silenciados e possibilita formas de organização que ameaçam poderes instituídos. É precisamente por isso que os poderes instituídos investiram em formas mais ou menos discretas de controlo das comunicações digitais, com técnicas cada vez mais sofisticadas de censura, vigilancia e retaliação contra as vozes discordantes. As invasões de privacidade do tipo NSA/GHCQ são até benévolas se comparadas à grande firewall chinesa, à prisão e tortura de bloggers no médio oriente ou a repressão aberta sobre a dissidência na Rússia. Ou como os autores observam, certeiros: "to empower a government, give it the Internet".

If Dishwashers Were iPhones: Um divertido tiro de Cory Doctorow nas políticas de gaiola dourada que asseguram o mundo digital contemporâneo, ridicularizando com um exemplo absurdo os riscos reais de censura e limitação de liberdade trazidas pelo lock-in do consumidor a plataformas pensadas para maximizar lucros empresariais, mas apresentadas como benévolas e protectoras da segurança dos utilizadores.

The Poem That Passed the Turing Test: Reclamar vitória neste teste é algo de muito controverso. Parece que de facto um poema gerado por um algoritmo artificial foi aceite por uma revista de poesia que não desconfiou que o dito não tinha sido escrito pela alma torturada de um poeta humano. Para além da possível forma de dar a volta ao teste de Turing, este acontecimento levanta algumas questões. A mais óbvia parece ser sobre o que é a arte, quando um algoritmo programado com as técnicas de escrita de poesia consegue gerar aleatoriamente um texto que nos parece profundo e cheio de sentido. Poderão as máquinas produzir arte? Serão criativas? Talvez esta seja a questão errada. Dificilmente o programa que gerou este poema tem a noção dos sentimentos que quer provocar com as palavras. A sua inspiração é o correr de uma rotina que gera poemas em ordem alfabética. Talvez isto nos ensine um pouco mais sobre a forma como sentimos e construímos o significado que damos aos textos e imagens com que nos cruzamos.

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