quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

When altruism wasn't silly.


"I was a child of the innocent '60s and '70s, we thought we'd abolished misery, when it seemed so little effort was needed to build utopia. When altruism wasn't silly. Or didn't cost you your life."

Palavras amargas mas certeiras, escritas por Michael Moorcock nos primeiros capítulos do seu mais recente romance, The Whispering Swarm. Capturam o sentimento de mal estar com a contemporaneidade neo-liberal. Capítulos curiosos. Em vez de nos mergulhar no mundo ficcional do livro, leva-nos a uma Londres de forte recorte auto-biográfico. Apetece cruzar a biografia ficcionada do Moorcock deste romance com a do autor e ver até que ponto somos desviados do real pela prosa treinada de um mestre do fantástico. Moorcock é um fabulista consumado, por isso há que desconfiar do que parece verosímil. Porque, camuflado em pequenos detalhes que se vão multiplicando, o mundo ficcional do romance está lá. Paralela à Londres animada dos anos 70 está uma Londres intemporal que só o olhar de alguns consegue vislumbrar.

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