segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Offroad


Desde há algum tempo que me tenho esforçado por evitar auto-estradas. São caras, entediantes e convidam à aceleração. São-me úteis quando o tempo está contabilizado e convém estar a horas nos sítios, mas fora desses momentos a estratégia é de fuga. Opto cada vez mais por estradas nacionais ou secundárias. É uma tendência habitual nestes tempos de crise. Poupa-se na portagem, melhora-se a eficiência de consumo de combustível conduzindo a velocidades mais baixas. As estradas nacionais obrigam a conduzir mais devagar. Não só por imposição legal. Há por aí muito sítio onde andar perto da velocidade máxima legar pode ser potencialmente letal.

Se evitar gastos desnecessários, escapando à economia rentista, é uma das razões que me leva a esta fuga, outra é estética. Desacelerar, contrariando a tendência do futurismo. Poder parar. Encontrar recantos inusitados. Poder contemplar a paisagem ao retrovisor e no pára-brisas. Atravessar aldeias, vilas e cidades e sentir-lhes o isolamento, ou o fervilhar. As auto-estradas são estéreis, construídas como artérias que ignoram deliberadamente a arquitectura estática. Na via-rápida somos um borrão na paisagem. Na estrada cruzamo-nos com recantos, casario, pontes e rios. O tempo alonga-se e ficamos com mais tempo para pensar, ou apenas aproveitar o intenso prazer contemporâneo de conduzir e ouvir música. Aquele sentimento fantástico e banal de on the road, nós, o veículo, a estrada e as paisagens que se sucedem.

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