segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Comics


Hellboy and the B.P.R.D. #01: Teremos Hellboy de regresso aos comics? Talvez, metodicamente. Mignola foi inteligente na estratégia de não banalizar o seu melhor personagem com exploração excessiva. Mas vai mimando os fãs com algumas edições pontuais, como o genial Hellboy in Hell, em que não só nos devolveu durante um curto tempo o personagem como também o seu traço inigualável. Neste novo título olhamos para um Hellboy jovem, antes de se tornar o simpático monstro desbocado de que tanto gostamos. Não sendo um regresso total, é uma dose a conta gotas, desta vez interligado com o muito menos interessante Bureau for Paranormal Research and Defense, série que consegue transformar o apocalipse num longo bocejo. Com ênfase em longo.


Max Brooks The Extinction Parade War #05: Este comic escrito pelo celebrizado autor de World War Z fica algo aquém das expectativas, apesar de uma premissa curiosa. Com hordes de zombies a avassalar a península malaia, restam os vampiros, que vêem o seu estilo de vida como predadores da humanidade ameaçado pela extinção humana à dentada de zombie. É uma boa desculpa para o tipo de desenhos viscerais em que a Avatar Press se especializa, com um Raulo Cáceres especialmente capaz de grafismos provocadores de vómitos. A história segue nos moldes previsíveis, com duas vampiras a catalizarem uma união de defesa que vai eliminando zombies com extremo prejuízo, mas neste número cinco a história desvia-se para a ironia fina, com as anti-heroínas a cruzarem com um grupo de vampiros que se proclama um exército organizado. Têm os uniformes, as armas, os brinquedos de alta tecnologia e estão cheios de teorias lidas nos mais eruditos manuais dos téoricos militares. Mas não passam de um exército de pacotilha, incapaz de agir porque apesar do aspecto profissional não faz a menor ideia do que tem de fazer. Um toque de fina ironia anti-militarista.


Hinterkind #13: Apesar de ter Ian Edginton no argumento, Hinterkind tem sido de uma mediania arrepiante. A ideia até prometia: um futuro pós-apocalíptico em que uma praga viral destruiu grande parte da humanidade, com os sobreviventes escravizados pelas criaturas míticas. Com o desaparecimento dos humanos ogres, fadas, silfos, centauros e todas as outras criaturas que assustam o imaginário voltaram a ocupar o seu lugar no planeta. Mas não passou de uma rotineira história-périplo que terminou com uma intrigante invasão de nosferatus militaristas europeus que atravessaram o oceano em dirigíveis para encontrar novos terrenos de caça nas américas. Neste número Edginton arrepia caminho e vai aos primórdios do seu mundo ficcional, começando a mostrar como é que a humanidade foi exterminada por vírus manipulados pelas criaturas míticas. Talvez agora Hinterkind ultrapasse a mediania.


War Stories Castles in the Sky #03: Um final curiosamente feliz para este episódio na série em que Garth Ennis dá asas ao seu gosto especial pela história da II Guerra. Acompanhamos as aventuras de um tripulante de bombardeiros da oitava força aérea, rapaz meio adolescente que é obrigado a crescer frente ao horror da guerra nos céus. Termina com um fantástico relato do que teria sido uma missão banal da oitava força aérea, um raid de rotina onde as frotas de B-17 e B-25 são constantemente assoladas por vagas sucessivas de Me109s, FW-190 e até caças nocturos (oHE-219 uhu é um pormenor perfeito). Não sendo dos melhores trabalhos de Ennis, apesar de nos colocar no lugar de um jovem a encarar o visceral horror da guerra, distingue-se mais pela precisão do traço do ilustrador Keith Burns. O seu traço regista na perfeição a tecnologia militar da II guerra.

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