sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Leituras


All Cameras Are Police Cameras:  James Bridle dá um passeio por Londres, documentando a pervasividade da video-vigilância e uma muralha invisível de electromagnetismo domado às necessidades dos vigilantes. Uma reflexão sobre a privacidade e direitos civis na era onde a segurança justifica pequenos atropelos às liberdades que se acumulam em situações impensáveis. Como ser considerado um risco de segurança, ser detido por cidadãos e ter de se explicar perante a polícia pelo inócuo acto de passar nas ruas de uma cidade e tirar fotografias. Mas, também, sobre a facilidade com que condemos acesso aos gestores de tecnologias intrusivas à nossa privacidade individual, esquecendo que o que consideramos isolado é apenas um nó de uma vasta rede digital, legal e policial: "The Sixth Wall will be built from the things you wear on your body and arrange on the shelves in your bedroom. Nest, QOL, Hue. Automatic. Smart TVs. HAPIfork. Vessyl. Autographer. Memeto. Glass. Dropcam. Jawbone. Fuel. Withings. Fitbit. Healthkit. Little policemen in your pocket, little policemen on your skin."

The Trouble With Teaching Doctor Who: Ensinar Doctor Who? Onde é que se tira esta cadeira? Já não se tira, infelizmente, apesar do professor se confessar aliviada por que no que toca ao Doctor a fronteira entre seriedade académica e fanboys a ser fanboys era demasiado ténue. Mas o artigo não deixa de ter intuições interessantes sobre o infantilismo induzido na era de David Tennant, o ingénuo deslumbre contínuo da personagem enquanto protagonizada por Matt Smith e a dureza inconsistente mas interessante do corrente Capaldi, mais por culpa dos argumentistas do que dos actores, que tornaram a persongem de uma relativamente obscura e ridícula série de fc infantil inglesa num poderoso ícone da cultura pop contemporânea.

A screaming comes across the sky. Drones, mass surveillance and invisible wars: Algures a meio deste artigo sobre visões da arte contemporânea sobre drone aesthetics deparo com esta frase: "They don't get hungry. They're not afraid. They don't forget their orders. They don't care if the guy next to them has just been shot. Will they do a better job than humans? Yes." Mas, lamento, por muito fascínio negro que estas tecnologias de hipervigilância automatizada despertem, há que recordar que os metais enferrujam, as baterias esgotam a carga de energia, bugs e glitches atrapalham a perfeição binária do código. A estética dos drones é apenas aparentemente sobre a desumanidade da máquina-simulacro de inteligência. No seu cerne está a eterna e desumana vontade da humanidade em vigiar, controlar, neutralizar e eliminar o outro, aqueles elementos que perturbam a correcta ordem institucionalizada imposta às coisas. Drones e software são apenas meios mais recentes e subtis de algo para o qual pedras e paus também servem. Um míssil disparado por um robot voador é mais elegante do que espetar cabeças em piques, e tem o mesmo efeito dissuasor/provocador.

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