quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Dylan Dog: El Mundo Perfecto; Il Lungo Addio.


Tiziano Sclavi, Corrado Roi (2007). El Mundo Perfecto. Aleta Ediciones.

Dylan acorda, amnésico, numa estranha casa onde tudo se centra numa jovem rapariga que afirma ser sua irmã. Mas algo não bate certo. O leitor sabe o que é, claro, mas é Dylan que tem de resolver o puzzle da sua personalidade e levar-nos a desvendar o mistério da estranha casa onde tudo parece perfeito. O final é poético. A rapariga era um fantasma que não se apercebia que estava morta e animava bonecas para povoar ruínas que se transformaram numa casa de bonecas isolada num espaço para lá do real. Sem ser das melhores aventuras do personagem, não deixa de ter aquele carácter desconexo de poesia surreal que dá o gosto à série.


Mauro Marchellesi, Carlo Ambrosini (1992). Dylan Dog #74: Il Lungo Addio. Milão: Sergio Bonelli Editore S.p.A..

Esta é daquelas aventuras em que percebemos logo o que se passa, mas nem por isso perdemos o interesse em segui-la até ao fim. Desde que uma velha paixão da adolescência de Dylan o visita a meio da noite, sem se recordar como lá chegou, que percebemos. Dylan, eterno cavalheiro romântico, leva-a de regresso à sua casa, numa aldeia à beira mar. Esse regresso torna-se uma longa viagem por recordações de um passado que nunca se tornou possível mas, misteriosamente, nessa noite acontece, como se uma noite substituísse a possibilidade de uma vida. Dylan enfrenta com a sua habitual fleuma a sucessão de surreais eventos nocturnos até deixar a sua visitante na casa onde esta sempre viveu. E, ao amanhecer, acompanha o seu caixão. Sempre soubemos que esta lufada de ar do passado era um ponto final, um último desejo de uma alma que está a partir deste mundo. Um episódio de profunda poesia.

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