sexta-feira, 18 de julho de 2014

Dylan Dog: La Cara Mamma; Sulla Pelle; Una Nuova Vita.


Giancarlo Marzano, Giovanni Freghieri (2013). Dylan Dog Almanacco Della Paura #23 - La Cara Mamma. Milão: Sergio Bonelli Editore S.p.A..

Esta aventura do detective dos pesadelos intriga pela forma como o argumentista nos conduz a um final previsível mas com um volteio final intrigante. Acompanhamos um filho da mamã, não um filho da mãe mas um homem de meia idade que nunca se libertou das saias da mamã ao mesmo tempo que a cidade é assolada por um serial killer com propensão para decapitar jovens vítimas. Ficamos desconfiados que este homem patético será o assassino, desconfiança reforçada por uma mamã que aparenta ser um monstro com um toque de zombie, presa à cama por correntes e uma certa propensão para levitação, que o filho gosta de acalmar com presentes bem escolhidos. Suspeito, não? Dylan mete-se nisto porque anda a namorar uma jovem bibliotecária, colega de trabalho do homem que não larga a sua mãe. Rapariga simpática, comete o erro de ser bem educada para o filhote eterno e vê-se obrigada a aturá-lo. Entretanto Dylan é assombrado por um espírito que o leva à casa onde se oculta a monstruosa mãe. Afinal, esta está possuída por um demónio que teve azar na escolha da vítima e aprendeu uma dura lição. Ao possuir humanos verificar antes se estes não têm filhos possessivos com acesso a tomos sobre ocultismo e magia por trabalharem na maior biblioteca de Londres. E onde é que o assassino em série entra nisto? Passamos a maior parte da aventura com a certeza que é este homem de meia idade de ar patético, com as suas prendas ao monstro que chama de mãe que tudo nos indica serem as cabeças decapitadas das vítimas incautas. Mas não, afinal o assassino é o seu vizinho da frente, identificado pela mãe da primeira das vítimas, mulher estrangeira que ao perder-se em Londres é ajudada por Dylan a contactar a policia. A história é linear e as surpresas inesperadas conferem-lhe algum sabor. Sem ser excepcional ou sequer excelente, é uma boa aventura regular do detective dos pesadelos. O mérito do argumentista está no ter ultrapassado um pouco o que é esperado da série.


Bruno Enna, Piero dall'Agnol (2013). Dylan Dog #326: Sulla Pelle. Milão: Sergio Bonelli Editore S.p.A..

Quando a coisa se arrasta, arrasta. Elementarmente linear, previsível em todas as vertentes. Esta eminentemente esquecível aventura do detective dos pesadelos coloca-o a investigar tatuagens que permitem a um shamã tomar conta dos corpos de quem tatua e lançar-se numa orgia assassina enquanto dá caça a um livro de tatuagens polinésias cujos padrões permitem acesso a poderes ocultos. Um ponto baixo na série, quer pelo argumento banal quer pelo traço. O fumetti não se distingue particularmente pela mestria dos seus ilustradores, que suponho sejam obrigados a seguir um estilo rígido definido pela editora. É muito difícil perceber os traços individuais dos desenhadores. Neste caso até o é, mas isso não é bom sinal.


Carlo Ambrosini (2013). Dylan Dog #325: Una Nuova Vita. Milão: Sergio Bonelli Editore S.p.A..

Carlo Ambrosini surpreende com esta bem lapidada gema literária do horror. Dylan Dog tropeça numa aventura onde frustrações do presente e do passado se cruzam. Na frente ocidental um soldado que combate para se vingar da morte da família às mãos da artilharia germânica é ferido de morte nas trincheiras. Incapaz de morrer, é recolhido ao hospital de campanha onde garante não ser um ex-pintor francês, poilu nas trincheiras mais a sul, mas sim um médico inglês cujo espírito foi transportado ao passado. Porque no presente uma simpática enfermeira envolve-se com Dylan ao tentar acompanhar um dos seus pacientes, um jovem com uma paralisia congénita que após o falecimento dos pais num acidente é acompanhado pelo irmão mais velho, que por isso se vê obrigado a abandonar uma carreira promissora e a namorada. Frustrado, sente-se tentado a assassinar o irmão paralítico, mas arrepende-se a tempo. Só a intervenção de uma misteriosa ama arménia irá despoletar os saltos temporais dos espíritos enquanto liberta um malévolo espírito vingativo. O segredo final revela-nos a ama enquanto assombração, morta longe do filho que adora e cujo espírito inquieto busca vinganças. A narrativa é suficientemente tortuosa para intrigar, enquanto o carácter tenebroso das descobertas progressivas de Dylan vão mantendo um ambiente convincente de conto de terror.

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