terça-feira, 27 de maio de 2014

Comics: Delphine; The Grave Robber's Daughter: Peculia.


Richard Sala (2013). Delphine. Seattle: Fantagraphics.

Em busca de uma paixão esquecida, um jovem viaja até uma misteriosa cidade. Entre habitantes hostis e seres do oculto, vê-se enredado numa teia inescapável. A sua paixão é na verdade uma elaborada armadilha, destinada a atrair vítimas para os poderes ocultos que se refugiam na cidade. O traço inocente de Sala sublinha aqui uma belíssima história de terror, que vai buscar inspiração às vertentes literárias e cinematográficas do género. Lê-se como uma amálgama nostálgica de velhos filmes de série B e excertos literários que perduram na mente longos tempos após leitura.


Richard Sala (2007). The Grave Robber's Daughter. Seattle: Fantagraphics.

É impossível ler este livro sem pensar nas míriades de filmes de terror de série B com que se consomem momentos de tédio. O livro desenrola-se com a precisão de um destes filmes. Num ermo avaria-se o carro de rapariga com algo de pouco inocente no passado. Esta vê-se obrigada a procurar ajuda na localidade mais próxima, terra misteriosa e abandonada. Depara-se com uma ameaça aterradora num circo das proximidades, porque, enfim, palhaços assassinos ficam sempre bem nestas coisas. Consegue fugir e encontra outra misteriosa habitante, também com os seus segredos, que a ajuda. Investiga e depara-se com conspirações mortíferas e negras invocações dos poderes do oculto. Contra todas as expectativas, sobrevive e foge, regressando ao mundo normal. Soa familiar, não soa? Mas é neste reviver nostálgico destas histórias que está o encanto do trabalho de Richard Sala. Lê-lo evoca fragmentos de memórias cinematográficas, que preenchem os espaços deixados em vazio pela simplicidade deliberada das suas ilustrações.


Richard Sala (2002). Peculia. Seattle: Fantagraphics.

Um deslumbre visual. Sala desenvolve pequenas e irónicas aventuras para uma heroína de negros traços góticos, reminiscentes do humor negro de Edward Gorey e com forte inspiração no terror clássico de Machen ou Hodgson. O tom literário remete para o estilo gótico clássico, enquanto o traço a preto e branco de Sala se equilibra entre as referências ao cinema de terror clássico, ilustração ao estilo de Gorey e o estilo ingénuo tão próprio deste interessante autor.

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