quinta-feira, 29 de maio de 2014

Block 109: Ritter Germania; All You Need Is Kill.



Vincent Brugeas; Ronan Toulhoat (2012). Block 109: Ritter Germania. Talence: Akiléos.

O mundo ficcional de Block 109 intriga por ser um género de história alternativa mais comum nos comics do que na bande dessiné. Estamos em 1949, a II Guerra mundial continua entre uma Alemanha poderosa e uma União Soviética ferida de morte. O flanco ocidental está assegurado por um tratado de paz com os aliados, assinado pelo führer Himmler após suceder a Hitler, assassinado em 1939. É um palco largo e dos livros da série que já me chegaram ao radar não se perde muito tempo com plausibilidades geoestratégicas. A ideia é ter tela para contar histórias, não que a tela seja uma história em si. Neste episódio o conceito de herói pulp leva uma volta nacional-socializante, com o protagonista de uma série de filmes de propaganda a acreditar que é mais do que um actor. Ritter Germania é um herói visceral do regime, semi-ficcional por ser um soldado das forças especiais cooptado como actor, vestindo uma armadura e combatendo os inimigos do Reich onde quer que eles se encontrem. A vénia a Batman e The Shadow, bem como aos seriais rádio e cinematográficos americanos da golden age, é profunda.


Nick Mamatas, Lee Ferguson (2013). All You Need Is Kill. São Francisco: Haikasoru.

Quando comecei a olhar com atenção para a FC japonesa publicada pela Haikasoru All You Need Is Kill despertou-me a atenção. Belíssima peça de FC militarista, estava escrita numa linguagem tão clara que poderia dar um excelente filme. Não devo ter sido o único a pensar nisso. Esta história que pode ser descrita como um Groundhog Day com invasões alienígenas está prestes a estrear no grande ecrã, com os efeitos especiais da praxe e canastrão a rigor para atrair multidões às salas. Vai ter a trajectória previsível destes filmes, com um momento de explosão na ribalta, avalanche de merchandising e rápida queda no esquecimento, porque de hollywood não se espera cuidado ou criatividade e já se sabe que uma história destas vai acabar tão simplificada que talvez pouco mais dela reste do que o conceito elementar.

Antes do filme, a graphic novel, e esperemos francamente que o filme seja melhor que isto. A adaptação é medíocre, com um argumento do tipo "ok, vamos lá despachar isto que paga as contas e ter tempo para fazer outras coisas" e qualidade gráfica a condizer. Até porque o argumentista é capaz de bem melhor do que isto. Não é um trabalho incompetente, é um trabalho apressado para capitalizar no volúvel interesse gerado.

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