sábado, 12 de abril de 2014

Utopias 2014


Foi assim, neste sábado passado no Centro Cultural de Cascais, onde decorreu o workshop Visões de Utopia no âmbito do Utopias 2014. Seis participantes a descobrir um vislumbre da vasta história da FC, a folhear o que se fez e se faz por cá nos domínios da FC & F, e ideias arrojadas a serem reconstruídas e intepretadas em micro-ficções e vinhetas gráficas. Foi uma experiência muito recompensadora. Apesar de estar a falar sobre temas que me intrigam e um género literário que me apaixona estava muito longe da minha zona de conforto no que toca a dinamizar workshops. Das vezes que já o fiz teve mais a ver com colocar professores a descobrir que o 3D não é tão difícil quanto isso do que fazer algo no campo literário. Fui como leitor e fã, para partilhar ideias e desafiar os participantes a brincar com percepções sobre tecnologias de vanguarda que nos prometem futuros. Espero que tenham gostado. Fiquei com a sensação que sim.


Foram dois dias dedicados a respirar ideias. No meu caso dia e meio que tinha uma aula que queria mesmo dar e optei por faltar à primeira manhã do Utopias. Fui recompensado com um belíssimo wokshop de fotografia que me fez pensar no que significa o acto de fotografar e aprender elementos técnicos sobre máquinas com que até agora nunca me tinha preocupado. No dia seguinte, para além desta maravilhosa oportunidade ainda assisti a espectáculos que impressionavam pela qualidade - o grupo de teatro distinguiu-se pela sua fortíssima expressividade e uma conversa final onde Teresa Ricou nos recordou a importância de arregaçar as mangas e não desistir, Paulo Guinote traduziu o espírito de revolta de uma classe profissional e Valter Hugo Mãe nos recordou qual a real importância da escola pública: assegurar, ou pelo menos tentar, igualdade de oportunidades.

Dois dias de partilhas num modelo de formação de docentes diferente do usual, sem discursos impostos e a convidar a parar para reflectir. Também dois dias cinzentos de chuva que terminaram com o raiar do sol no final do Utopias. Será uma metáfora?


Parece, mas não, não passei o tempo a ler os livros e revistas de FC e fantástico portuguesas que ensaquei e acartei para o espaço que me foi destinado no Centro Cultural de Cascais. Os responsáveis do Centro, quando lá passei a fazer o reconhecimento prévio do espaço no dia anterior, disseram-me que aquele era o espaço possível porque era o único onde havia uma parede branca para projectar. Sem o saber fizeram-me um favor. Teve um gostinho especial conversar sobre estes temas no meio da obra pictórica do Pedro Zamith, tão próxima das estéticas da BD e dos comics.

A imagem foi do momento de trabalho, onde os participantes iam escrevendo micro-contos e íamos conversando sobre os livros que estavam disponíveis para pegar, folhear, ler e descobrir o nosso manancial do género. É interessante ver como o design do Almanaque Steampunk deslumbra quem nele pega, que a Bang! desperta a atenção pela sua existência, e que todos têm memórias da lendária colecção de capa azul da Caminho. Tinha planeado que o workshop terminasse com uma hora dedicada à leitura, mas acabou por se desenrolar em leituras e conversa sobre ideias de futuros.


Em breve ficarão online as notas e materiais que organizei para o workshop. Já o ebook vai demorar mais um pouquinho. Há que transcrever os textos. E também preciso de descansar um pouco. Mas não muito, que os meus relógios cerebrais já me recordaram que outros desafios estão a aproximar-se dos prazos de necessárias conclusões.

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