terça-feira, 4 de março de 2014

O lustro do optimismo


A página do facebook do Retro Sci-fi Image Repository of Greater Boston é uma habitual boa fonte de iconografia do género, mas esta manhã esteve particularmente brilhante ao reavivar memórias visuais do futurismo desenfreado das feiras mundiais de 1939 e 1964, símbolos da tecno-utopia do progresso tecnológico. É o futuro aerodinâmico de Raymond Loewy ou Bel Geddes, o optimismo progressista de Hugo Gernsback, a crença na transcendência pelo utensílio tecnológico. Onde auto-estradas cheias de automóveis a motor atómico eram ainda um sonho de futuro e não o nosso contemporâneo pesadelo envolto em nuvens de poluição, e os projectos de arrasar as velhas cidades para em cima das suas ruínas construir arranha-céus de betão sinceros desejos urbanistas. 


É o retro-futuro de art deco em modo barroco alastrante, lustroso no optimismo, cego para as consequências, que William Gibson tão bem satirizou em The Gernsback Continuum (também em filme para os leitores mais preguiçosos, com a vantagem das referências visuais): "The books on Thirties design were in the trunk; one of the contained sketches of an idealized city that drew on Metropolis and Things to Come, but squared everything, soaring through an architect's perfect clouds to zeppelin docks and mad neon spires. That city was a scale model of the one that rose behind me. Spire stood on spire in gleaming zigguart steps that climbed to a central golden temple tower ringed with the crazy radiator flanges of the Mongo gas stations. You could hide the Empire State Building in the smallest of those towers. Roads of crystal soared between the spires, crossed and recrossed by smooth silver shapes like beads of running mercury. The air was thick with ships: giant wing-liners, little darting silver things (sometimes one of the quicksilver shapes from the sky bridgres rose gracefully into the air and flew up to join the dance), mile-long blimps, hovering dragonfly things that were gyrocopters..."



Bem vindos a um futuro que nunca mais regressará.

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