sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Legs Weaver: Vampyre Story; C'Era Una Volta Una Regina; Il Dormiente.


Stefano Piani, Anna Lazzarini (1997). Legs Weaver #18: Vampyre Story. Milão: Sergio Bonelli Editore S.P.A..

A capa, com a atraente Legs em sugestiva pose de criatura da noite, não augurava nada de bom. Vampiros, cemitérios e meninas jeitosas... está-se mesmo a ver por onde é que isto pode dar. Não é preciso imaginar muito, basta dar um pulo ao youtube e ver clips dos filmes da Hammer com dráculas e actrizes de dotes... avantajados. Mas nada disso. Piani é um amante do cinema clássico e aproveita-se da ideia do enredo para fazer a sua homenagem ao cinema de terror. A história em si é curiosa, com o desaparecimento de uma jovem rapariga a levar Legs a descobrir que um dos seus mais antigos amigos é um vampiro, e a perceber que os terrores de antanho ainda assombram, discretamente, a cidade do futuro. Não é um episódio visceral, apesar de ter algumas más surpresas e uma linha narrativa secundária decalcada com muito estilo ao Oliver Twist de Charles Dickens. Estes vampiros do fumetti estão apenas interessados em que os deixem em paz, protejendo a sua discrição com leis mortais para si próprios e para os que se cruzam. Se a história é simpática o que lhe dá valor é a referenciação de Piani aos clássicos do cinema de terror e à variante de narrativa de injustiça ao estilo de Dickens. O vampiro amigo de Legs chama-se Landis e gere um cinema onde diariamente se projectam os velhos filmes clássicos. Não é uma homenagem subtil, mas estamos no mundo do fumetti, onde subtileza é qualidade non grata.


Michelle Medda , Pier Nicola Gallo (1997). Legs Weaver #19: C'Era Una Volta Una Regina. Milão: Sergio Bonelli S.P.A..

Fico estupefacto como de um mês para outro esta série oscila entre o interessante e o patético. É o caso desta espécie de fábula mal amarfanhada, que pretende pegar em elementos da Branca de Neve com estranhos sete anões e uma rainha má que vê em Weaver uma rival na luta pelo título de mulher mais bela do mundo. Não consegue fazer nada com isto e o episódio está demasiado para cá da fronteira do ilegível. O problema desta vertente de banda desenhada é ser normalmente banal, com alguns rasgos de génio e demasiados momentos atrozes.


Antonio Serra, Giancarlo Olivares (1997). Legs Weaver #20: Il Dormiente. Milão: Sergio Bonelli S.P.A..

Recordo-me de uma história clássica do Capitão América, ilustrada pelo divino Jack Kirby, onde o herói do escudo com estrela enfrentava um robot adormecido, mais um dos vestígios da lendária tecnologia avançada nazi que se ergueu do seu refúgio nas areias dos desertos americanos em mais uma tentativa de vingar o terceiro reich que o super-herói anula. Este episódio de Legs Weaver segue uma estrutura similar, pegando numa mítica forma de energia capturada por nazis no final da II guerra que servirá para dar energia a um robot controlado por um sobrevivente do regime que se transformou em cyborg para manter viva a chama do III reich. Antonio Serra diverte-se metendo no mesmo saco o judeu errante, clones nazis, história da II guerra e batalhas entre mechas, um deles pilotado pela boa menina (duplo sentido intencional) May, que se especializa em combater robots gigantes em lingerie. Porque.. enfim, não há explicação lógica.

Vou colocar aqui um ponto final nas minhas leituras desta personagem. Cheguei a ela tentando perceber se há alguma tradição de FC em fumetti, e deparei com conceitos interessantes numa visão futurista coerente apesar de fortemente datada. Mas o foco da série não é a FC, antes esta é um adereço em linhas narrativas de aventura policial com elementos de sensualidade softcore. Teve alguns bons momentos, mas na generalidade reina uma medíocre mediania. Chega, é hora de partir para outras leituras. Depois da experiência de Legs Weaver já percebi que não vale a pena perder tempo com Nathan Never mas os álbuns da série Agenzia Alfa parecem prometedores. Mas confesso que vou ter algumas saudades da escultural May, com a sua tendência para acabar despida nas histórias e um soutien que se desmontava nas peças de uma pistola para utilizar nos momentos mais apertados. Sim, leram bem. E com esta desço a cortina sobre a série Legs Weaver. Exeunt.

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