domingo, 5 de janeiro de 2014

Gea: Il Baluardo; Il Corteo de Dioniso; Storie di Spettri.


Luca Enoch (1999). Gea #01: Il Baluardo. Milão: Sergio Bonelli Editore S.P.A..

Outra interessante surpresa da casa editorial Bonelli. Escrito por Luca Enoch, Gea é uma série que aposta no sobrenatural e young adult, centrada numa adolescente que para além de gerir as agruras da vida enquanto jovem ainda acumula responsabilidades como guardiã, membro de uma casta sombria que guarda o mundo contra ameaças paranormais. Nesta primeira edição Enoch apresenta-nos pacientemente à heroína, levando-nos a visitar o mundo de uma adolescente que se diverte com as amigas na escola, tem uma banda punk e passa as noites a caçar monstros. Ficamos também a conhecer os seus companheiros de aventuras, um grupo de criaturas sem cabeça experts na electrónica e que passam despercebidos com disfarces de humanos normais, e um agente do FBI especializado em ocorrências paranormais que é ridicularizado pelos colegas. Uma boa personagem também tem uma arqui-inimiga à altura e a de Gea é uma demónio que se oculta por debaixo do disfarce de estilista famosa.

Defensora da humanidade, Gea é antes de mais uma aprendiz das artes ocultas, e muitos dos monstros com que se depara são criaturas de outros espaços que ficam aprisionadas na Terra graças a quebras interdimensionais. Essas Gea remete para o limbo, local paradisíaco onde se refugiam os náufragos do espaço-tempo. Já as ameaças mais viscerais encontram fim garantido à lâmina afiada da espada da guardiã.

Na primeira aventura Enoch mostra-nos que não se vai ficar pelo simplismo da narrativa-tipo de caçador de monstros. Gea despacha alguns demónios com extremo prejuízo mas acaba por se envolver com um assassino em série que, condenado à morte, vai sobrevivendo aos diferentes métodos de execução. Percebendo que este não é uma criatura deste mundo e que a acusação de assassínio foi um mal entendido, Gea auxilia-o a partir para um merecido refúgio no limbo.


Luca Enoch (1999). Gea #02: Il Corteo de Dioniso. Milão: Sergio Bonelli Editore S.P.A..

Uma aventura deveras classicista da personagem. Desaparecimentos misteriosos de jovens donzelas num parque natural deixam todos confusos. Ao investigar, Gea depara com uma comunidade oculta de sátiros que vive há séculos refugiada em cavernas e vai raptando raparigas para as engravidar e assim assegurar a sua continuação. Gea dá-lhes passagem para o limbo, onde terão liberdade e não precisarão de viver ocultos, mas há quem se entristeça. É que parece que ser raptada por sátiros não é um destino tão tenebroso quanto possa parecer.

Enoch diverte-se com uma viagem através de um dos mais intrigantes ícones da mitologia greco-romana, aplicando o seu virtuosismo gráfico em recriações feéricas da alegria de viver dos sátiros.


Luca Enoch (2000). Gea #03: Storie di Spettri. Milão: Sergio Bonelli Editore S.P.A..

A força do mal que se oculta sob o véu de estilista famosa tenta abrir um portal para deixar passar uma coorte de demónios mas falha. As criaturas são estraçalhadas pelas forças primordiais mas há um espírito que se escapa. Furiosa perante o fracasso, a rainha dos demónios lança o espírito às trevas, só que este aterra em catenárias de alta tensão e ganha poderes inusitados. Gea é convocada para ajudar outros guardiães a derrotar uma perigosa ameaça que se manifesta em Angkor. Descobre que não está só na sua missão, mas as perguntas que tem ficam sem resposta. Apenas o trilhar, solitária, os caminhos de aprendizagem que lhe estão destinados trará as respostas que procura. Entretanto, o fantasma electrificado começa a fazer das suas e Gea recruta a ajuda de um grupo de simpáticas almas penadas que assombra uma casa abandonada para derrotar esta nova ameaça. E como esta é particularmente violenta, Gea não tem contemplações e elimina-a de vez.

Sente-se que este volume tem algo de intermédio, avançado as linhas narrativas que se estendem desde o primeiro volume e metendo no meio uma aventura pouco interessante, com elementos quase decalcados de filmes de Wes Craven. Diga-se que quem vê um fantasma a saltar de um televisor já pensa nas variantes possíveis deste artifício. Num episódio de Dylan Dog funcionou, porque a narrativa abrangente era interessante. Neste episódio de Gea percebe-se que está só a encher vinhetas para aproveitar o espaço do álbum.

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