sábado, 25 de janeiro de 2014

Dimensões de um suspiro

As diferentes dimensões de um suspiro, ou elementos de uma passagem particularmente brilhante de Transcendental, o novo romance de James Gunn:

"“Ah,” Tordor said. It was a sound that suggested a familiarity with the ways of the powerful.

“Ah,” Tordor said. It was a sound that suggested a basic inability to understand the ways of sentient beings.

“Ah,” Riley said. It was a sound that suggested Tordor was right and those poor faint stars ahead were unlikely to nourish sentience much less some kind of technological civilization that could produce transcendence for its own species, and perhaps—though even less likely—for other species.

“Ah,” he said. It was a sound a man makes after he has drawn the short straw."

Ainda vou nos princípios do livro mas esta space opera com contornos de religiosidade épica já me cativou. O mundo ficcional é vasto e a qualidade literária, como se pode intuir por estas passagens citadas, elevada. Já o tema de peregrinação em busca de transcendência através da procura da sua promessa encontrando uma civilização avançada oculta na vastidão estelar faz-me lembrar elementos de A Fire Upon The Deep de Vernor Vinge, onde civilizações que partiam para os limites da galáxia atingiam níveis progressivos de trascendência que os afastavam das suas raízes planetárias. O interessante aqui era o conceito flexível das zonas de pensamento que afectavam quer espécies quer tecnologia, que no universo de Vinge funcionavam como marés e tempestades que podiam lançar sem pré-aviso zonas avançadas nos níveis mais primitivos. Gunn não seguirá este caminho, certamente, mas fica o registo de uma possível inspiração.


(Se o João Barreiros ler isto vai listar cento e cinquenta mil e um livros de temática similar. )

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