domingo, 24 de novembro de 2013

Fumetti: Caravan, La Parola di un Leader; Factor V.


Michele Medda, Fabio Valdambrini (2009). Caravan #03: La Parola Di Un Leader. Milão: sergio Bonelli Editore s.P.A.

Porque é que me dou ao trabalho de ler isto? Porque o mistério dos eventos que conduziram à evacuação da cidade de Nest Point e ao arrebanhar da população numa interminável caravana conduzida e vigiada de perto por um batalhão de soldados determinados é intrigante. Fiel ao espírito da série, Michelle Medda desperdiça mais cem páginas de forma previsível, e consegue fazê-lo arruinando duas boas premissas: a original e a de um político local que começa a unir a população para fazer frente à prepotência dos militares mas cujo carácter acaba destruído por uma armadilha maquiavélica engendrada por uma especialista do governo. Duas boas ideias arrasadas por mais uma sequência de puro tédio.


Sergio Stivaletti, Marco Morandi (2010). Factor V #01: L'Inconfutable Veritá Sui Vampiri. Perugia: Star Comics.

Porque nem só de Bonelli vive o fumetti... desta vez a descoberta vai para Factor V, série da editora Star Comics. Fiel ao populismo da vertente comercial da BD italiana, este fumetti vai buscar elementos previsíveis que garantem o despertar do interesse do leitor. No arranque da série somos apresentados a um torturado professor universitário, que ao investigar a morte da mulher vai deparar com um vampiro que ao longo de anos fez dezenas de vítimas na universidade. Para crédito do argumentista, a vampira assassina não é quem somos levados a pensar que seria, numa linha narrativa que não funciona como plot twist e se insere na lógica mais abrangente da história. No início somos apresentados a um pianista gótico de cabelo à fã irredutível dos Cure e com um permanente par de óculos escuros que apresenta o comportamento enigmático normalmente atribuído aos vampiros, mas o autor sabe defraudar muito bem as expectativas criadas no leitor. Para complicar a coisa temos um clã de vampiros que vivem no submundo e um padre albino que se dedica a exterminá-los com auxílio de um anjo cuja espada flamejante oculta estratégicamente o seu sexo. Não, não estou a brincar, a desastrada vinheta em questão tem de ser vista para ser acreditada. Evitar ferir susceptibilidades com simbolismo fálico numa bd especializada em mordeduras em belas jovens é um divertido anacronismo. Sem ser particularmente inovadora, remexendo os habituais ingredientes do género vampírico, alguns pormenores da série despertam o interesse na sua evolução. A inserção de clãs de vampiros e caçadores é um pouco atabalhoada, mas percebe-se que o atormentado professor não ficará por aqui na sua busca pelos mistérios do factor V, e suspeito que o suspeito de ser vampiro nesta primeira edição será o seu confiável aliado.

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