segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Comics


2000AD #1859: Não é que o resto da revista não tenha outros pontos de interesse. As aventuras de Dredd continuam numa sólida mas pouco inspirada história de crianças armadas até aos dentes e ameaças ocultas na apocalíptica Mega City 1 pós-vírus do juízo final. Somos mimados com um insidioso e distorcedor mental Future Shock (esta rubrica é do melhor que a 2000 AD tem; histórias curtas, desenvolvidas em três pranchas, que levam ao absurdo o conceito de plot twist). Mas é inevitável não centrar as atenções na elegância steampunk que alia o traço de Culbard e as palavras de Edginton em Brass Sun.


Kiss Me Satan #03: Uma história previsível de um demónio que quer ser anjo ao qual foi dada como missão proteger três bruxas da perseguição movida por um lobisomem, líder de um poderoso grupo criminoso. Funciona em tom de roatrip apocalíptica, com os necessários recontros violentos com feiticeiros a soldo, capazes de conjurar as mais tétricas ameaças ocultas. Previsível, mas muito bem ilustrado, o que lhe confere interesse que distingue este comic da imensa massa de publicações similares.

The Mysterious Strangers #06: Finalmente consigo dar destaque a um dos mais brilhantes elementos gráficos desta série de Chris Roberson. O seu espírito retro reflecte-se na própria estrutura narrativa, que replica a de séries televisivas clássicas. A história começa ou continua sempre nas primeiras páginas do floppy, sendo levada a um curto ponto decisivo que dará o tom ao episódio. Nesse momento a leitura é interrompida por esta brilhante prancha, a replicar perfeitamente o tom e o espírito dos genéricos das séries televisivas. Este elemento é repetido em todas as edições, reforçando o carácter episódico de cada uma.


The Wraith: Welcome to Christmasland #01: É curioso deparar com este comic depois de João Barreiros ter apresentado o NOS4A2 de Joe Hill no Fórum Fantástico. Esta é a adaptação para comics do livro, feita com a mão cuidada de Joe Hill. O que nos parecia divertido nas palavras de Barreiros - um vampiro que conduz um carro alimentado pela energia anímica de crianças raptadas para trabalhar até ao esgotamento a fabricar brinquedos na ártica e eterna terra do natal, é no comic algo de horrivelmente grotesco. O que é muito bom. É fabuloso o pormenor do vampiro motorista ser uma caricatura grotesca do já de si visualmente incomodativo conde Orlok do belo Nosferatu de Murnau. Quer pela obra literária quer em comics, dos quais Locke & Key é o melhor exemplo, Joe Hill afasta-se decididamente das pisadas do pai, um escritor de horror bastante conhecido com um longo historial de publicação, e afirma-se como autor de terror com estilo próprio.
(E sim, sei que o Hill é filho do Stephen King. Quem não saberia agora já sabe.)


D4AVE #01: Os robot overlords revoltaram-se contra a humanidade e depois de denodada luta exterminaram os mamíferos inteligentes que os criaram. Não contentes com isso embarcam numa demanda para aniquilar toda a vida biológica da galáxia. Terminada a tarefa, regressam à terra e... decidem emular o padrão de vida dos extintos humanos tão meticulosamente que imitam os mais banais detalhes. D4ve, o inepto protagonista, sente-se um certo mal-estar de inadaptação às rotinas cinzentas e sonha com o passado heróico a exterminar vida biológica. Talvez tenha sorte com uma ameaça do espaço a manifestar-se na Terra robotizada. Outra intrigante série que, em conjunto com Alex+Ada da Image, formam duas vertentes das visões sobre robótica avançada na cultura popular.


Buzzkill #03: Este comic pretende ser uma daquelas visões inovadoras sobre o género super-heróis com um viciado arrependido que depende de substâncias aditivas para os seus poderes. Ou seja, só é poderoso quando está bêbedo como um cacho ou a flutuar em nuvens opiácias, com as óbvias consequências para civis e propriedades. Não é uma série particularmente interessante e felizmente está a chegar ao fim. Mas mesmo nos piores tédios podemos encontrar pérolas e ler esta referência a um dos memes de Doctor Who no dia em que se comemoraram os cinquenta anos da série com o épico Day of the Doctor é algo de muito saboroso. And yes, bowties ARE cool.

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