quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Leituras

Are We Puppets in a Wired World?: Uma brilhante análise que começa como crítica literária a um conjunto de livros sobre privacidade e internet de autores como Morozov ou Naughton. Acaba por resvalar para uma profunda reflexão sobre a forma como alegremente cedemos os nossos dados pessoais e erodimos a privacidade individual em troca de conveniência e entretenimento. Sublinha que os usos dos dados agregados são muitas vezes impensáveis e inéditos, gerando novas formas de lucrar que surpreendem os utilizadores. Observa que a internet libertária se transformou num complexo e elegante panopticon de hipervigilância onde agências governamentais, estados e empresas conseguem manter níveis inimagináveis à poucos anos atrás de vigilância automatizada sobre os cidadãos, desvirtuando a ideia de conectividade livre em que se baseia o espírito da internet. Conclui de forma brilhante: "The free flow of information over the Internet (except in places where that flow is blocked), which serves us well, may serve others better."

The Writer As Meme Machine: Novamente a internet e as suas influências, desta vez num tom mais positivo e utopista. O remisturar automatizado de palavras, imagens e conceitos como nova fronteira de exploração linguística, ou as novas formas de poesia e arte conceptual possibilitadas pela conectividade e poder computacional.

Стены плачут: Sim, está em cirílico, mas não é para ler, é para ver. O urbanismo decaído enquanto cemitério das utopias do século XX. Onde a space age decai ladrilho a ladrinho nos murais que cobrem apartamentos brutalistas em cidades ignoradas da Ásia Central, ou o esforço stakhanovista pelo progresso da utopia proletária se esboroa na hipermodernidade urbana das incertezas do novo século.

The Many Posthuman Aspects of PacificRim: Esta é inesperada. Uma interpretação de Pacific Rim, filme onde giant fucking robots fight giant fucking monsters como sonho utópico transhumanista. Vai da mecanização da forma humana ao renascer dentro do útero mecânico. Isto no mesmo dia em que o Honest Trailers repete até à exaustão as óbvias incoerências de um filme concebido para agradar ao puto deslumbrado que reside dentro de nós.

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