quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Leituras

Computing Power Used to Be Measured in 'Kilo-Girls': Quando falo aos meus alunos sobre a evolução do computador - coisa dura para recém-adolescentes mas necessária se queremos que eles compreendam o mundo que os rodeia, ao invés de apenas saber utilizar as ferramentas e gadgets da moda, há sempre um slide que os confunde. Mostro-lhes uma imagem de pessoas reunidas numa sala a fazer cálculos e pergunto onde está o computador. Invariavelmente apontam para os móveis ou para as máquinas de escrever. É o momento em que lhes falo dos computadores, legiões de mulheres e homens cuja tarefa era efectuar cálculos repetitivos em operações de computação. Este artigo do Atlantic sublinha o importante legado destas mulheres.

Play is the cornerstone of creative learning: A brincar também se aprende. Ou aliás, brincar é uma forma muito natural e eficaz de aprendizagem, quer como brincadeira natural quer como orientada em estratégias de role-playing  ou problem-based learning. Ou apenas como aquele momento em que rabiscamos sem objectivo e acabamos a ter ideias intrigantes. Faz bem às crianças e aos adultos, mas num momento de progressivo conservadorismo centrado numa ideia falaciosa da importância das métricas na aprendizagem, visão mecanicista que resume cada indivíduo a uma parcela estatística cuja evolução deve ser medida de forma quantitativa, o foco está no memorizar e testar aquisição de informação. Actividades que requeiram abordagens criativas têm cada vez menos lugar em sistemas educativos cada vez mais orientados para o sucesso nos resultados de medição de desempenhos. A exploração livre e criativa do brincar incomoda as visões conservadoras porque, enfim, quem cria tende a questionar as verdades estabelecidas, e isso incomoda muito os novos conservadores que num ataque concertado que envolve política, media e finança estão numa missão para purificar o mundo.

The Paperback Revolution: Antes dos eBooks a grande ameaça à literatura e indústria editorial foram... os paperbacks, livros de capa mole hoje ubíquos mas que quando surgiram foram retratados como uma ameaça cultural. Esta história sublinha o verdadeiro carácter de algumas facetas das lutas sobre propriedade intelectual. A verdadeira ameaça, muitas vezes, está nos industriais dos media perceberem que novas técnicas ou tecnologias ameaçam a capacidade de obter lucros fáceis vendendo o mesmo de sempre. As pessoas interessam-se pelo conteúdo cultural mas a forma é algo secundário. O valor acrescentado com produtos de prestígio tem importância, mas o acesso à cultura faz-se a  um nível mais elementar. Entre pagar pouco por um livro-objecto físico de menor qualidade e muito por um objecto de prestígio, a maior parte dos leitores escolhe a primeira opção porque o que lhe interessa é ler, mergulhar na história, nas palavras, na força da narrativa ou na aprendizagem de factos.

Airships: Esta galeria do Atlantic desperta o heliumpunk que há em mim. As formas bojudas e elegantes dos dirigíveis a cruzar os céus são fascinantes, e as suas intricadas estruturas interiores de treliça uma delícia para os olhos.

The Navy’s newest warship is powered by Linux: Ler este artigo faz pensar numa descrição de uma nave de combate futurista. Estes navios são essencialmente sistemas inteligentes com dentes afiados, controlados de forma semi-automática e dependentes como nunca de sistemas digitais. O facto de se basearem em tecnologias de fonte aberta é uma curiosidade financeira. O intrigante é a descrição de sistemas de controlo que parecem ter saído dos sonhos da ficção científica.

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