quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Comics: Avengers Endless Wartime; Nosferatu.



Warren Ellis (2013). Avengers: Endless Wartime. Nova Iorque: Marvel Comics.

Ellis a escrever aventuras dos Vingadores. Nada de anormal por aqui, apenas deixa cair a pretensão de profundidade e transforma as personagens em caricaturas de si próprias com aquele estilo tão próprio deste autor em verbalizações emocionais robóticas. É divertido ler personagens estereotipadas a comportar-se como estereótipos absolutos. Mas Ellis deixou-nos mais do que um simples caricaturar dos icónicos Vingadores.

O mistério que origina a aventura prende-se com dragões semi-inteligentes controlados remotamente através de implantes cibernéticos. O enredo mistura segredos militares do passado do Capitão América com ocultas falhas nas façanhas míticas de Thor, mas no que realmente interessa temos um obscuro construtor de armas high-tech que mistura biologia e tecnologia digital para criar drones biológicos armados que têm uma tendência inquietante para escapar ao controlo dos pilotos remotos sempre que um herói se aproxima. É por estas coisas que Ellis é brilhante. Oculto sob uma banal história de super-heróis para consumo infanto-juvenil está uma profunda e contemporânea reflexão sobre a ética e a estética da guerra à distância baseada em drones, particularmente acutilante porque publicada num país cujo presidente, prémio nobel da paz, se distingue pela forma como dá uso a esta tecnologia para assassínios extrajudiciais. Devidamente embrulhadinha em quatro cores para consumo infantil.


Philippe Druillet (2001). Nosferatu. Paris: Albin Michel.

Druillet foi um génio visual que enchia pranchas com um estilo barroco e psicadélico sobrecarregado de pormenores. A sua iconografia única é inconfundível. No entanto neste álbum a genialidade do autor é pouco visível. Num argumento desinspirado que mistura o mito dos vampiros com um futurismo pós-apocalíptico o traço de Druillet num registo a preto e branco não atinge os elevados níveis de Salammbô ou Lone Sloane.

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