domingo, 21 de abril de 2013

Pincel digital


Pois, tu não dás Excel. Fazes aparecer ovelhas e foguetões no ar. E ensinas como fazer isso.

Ou como um bom amigo meu vê o que faço. A história do excel teve origem numa recente conversa com outros professores de TIC na região onde trabalho. Um detalhou que tinha já abordado todo o Word e Powerpoint e agora se encontrava a dar Excel, opcional no programa. Perante a questão inevitável e vocês apenas consegui dizer excel? Credo! e balbuciar qualquer coisa muito liminar sobre trabalho em multimédia. Vídeo e imagem, isso eles percebem pensei. Mas confesso que não fujo totalmente às aplicações office. Inicio as actividades com introduções à sua utilização, um pouco por descarga de consciência e porque alguns alunos (poucos, e cada vez menos) não tiveram contacto prévio com as ferramentas. A vertente que prefiro trabalhar com os alunos envolve a aprendizagem de ferramentas que lhes permitam descobrir tecnologias novas e estimular usos criativos. Parte daí a abordagem às tecnologias 3D e aos projectos multimédia.

Não defendo que seja a única vertente possível, ou sequer a mais importante. Há outras, tantas quanto as possibilitadas pela imaginação dos professores, o seu conhecimento de ferramentas digitais e a capacidade de as traduzir em projectos acessíveis às crianças e jovens. As ferramentas digitais criativas e a inventividade tecnológica são as marcas mais distintas da sociedade contemporânea. Por mim, acredito que estimular estas abordagens enriquece as capacidades dos alunos, ao invés do treino do uso de aplicações comuns. Esta postura está intimamente intricada com a minha formação de base artística e humanista, que me leva a ver o computador não como um objecto técnico mas como um utensílio de expressão, como um pincel digital. Mas, caveat lector: apesar de acreditar que esta postura é correcta, não é a única correcta. Antes de tudo, diversidade e multidisciplinaridade. Essa é outra das lições do mundo digital.

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