quinta-feira, 7 de março de 2013

Ficções

Ghost Stories: A prosa leve e divertida de A. Lee Martinez ao serviço do conto de terror, num simpático conto em que um caçador de fantasmas convence uma assombração de esta não passa de uma encarnação ectoplásmica do imaginário colectivo.

Kattekoppen: Ficção de sabor auto-biográfico na New Yorker sobre a rotina de um soldado de forças especiais no Afeganistão. Foge aos estereótipos machistas de super-soldados de fuzil em riste, centrando-se na observação do narrador dos hábitos alimentares do oficial de ligação com artilharia e uma busca frenética de final triste à procura de soldados raptados num beco de Kabul.

Nanny's Day: Não estava a perceber como é que este conto publicado na Asimov e nomeado para os prémios Nebula de 2013 se classificava de ficção científica. Parecia ser uma reflexão sobre mães divorciadas ausentes por imperativos de carreira e crianças que se afeiçoavam às suas amas. Acaba por pintar um cenário de luta em tribunal num futuro próximo onde as amas poderão disputar a custódia das crianças que tomam conta. Um conto muito intrigante de Leah Cypess que é de facto ficção científica no estado mais puro: criar histórias cujo cerne seja uma ideia científica, mesmo que neste caso sejam as ciências sociais a afirmar-se.

Five Ways to Fall in Love on Planet Porcelain: Tem um ar vagamente surreal, com a descrição de um planeta onde os habitantes são figuras de porcelana com estratificação social - porcelana fina para as elites, barro para o lumpen. É um natural destino turístico para humanos endinheirados, que entre outras maravilhas do mundo de cerâmica não hesitam em procurar os encantos sexuais das bonecas vivas. Ficção científica de Cat Rambo com um ar de regra 34.

The Problem of Cell 13: Uma referência no recente Nemo: Heart of Ice levou-me a descobrir as aventuras lógicas e cerebrais do Prof. Dr. Dr. Dr. S. F. X. Van Dusen, irascível e prepotente génio para o qual não há obstáculo que o pensamento não vença. Personagem esquecida do também quase esquecido Jacques Futrelle, Van Dusen é um exemplo clássico do género de ficção que se deleita no puzzle mental e na desconstrução de raciocínios, onde a parte mais empolgante da aventura é a exposição final onde o herói explica os brilhantes processos dedutivos que levaram ao deslindar do mistério. Faz recordar um Sherlock Holmes que não dedica o seu génio a meras trivialidades como o resolver crimes. O irascível e arrogante Van Dusen de Futrelle está muito acima disso. As histórias do Prof. Van Dusen, a máquina pensadora, podem ser lidas num site dedicado aos contos de Jacques Futrelle.

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