sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Comics


Fatale #12: O horror noir de Ed Brubaker a misturar muito bem mulheres fatais, homens atordoados pelo crime e horrores lovecraftianos dá uma viragem literalmente medieval. Depois de onze edições a montar um palco de atracções pelo crime nos anos 50 e 70 misturado com conspirações ocultas e uma mulher fatal estonteante que apesar de relutante acaba por conduzir à loucura os homens que se cruzam com ela, Brubaker muda o cenário. Agora estamos na Europa medieval a querer aprofundar a história da trágica mulher mistério cuja beleza é intocada pelo envelhecimento.


Creepy Comics #11: A Dark Horse reanimou um dos títulos clássicos da EC Comics com um tom contemporâneo. Mantém o formato de histórias de terror curtas com punchline irónicas, agora entregues a nomes conhecidos dos comics como Gilbert Hernandez, Peter Bagge, Doug Moench ou Richard Corben, entre outros. E a cada edição é sempre oferecida uma pérola clássica dos comics de horror dos anos 50. Esta fez-me recordar a versão cinematográfica de The Shining de Stanley Kubrick e a infame cena no quarto 237.


Batman #17: Depois de ter levado o Joker a extremos de violência, Scott Snyder conclui o arco Death of the Family com um final estranhamente morno. Percebe-se que não há muita volta a dar. Batman não pode ser morto pelo Joker, e este tem de continuar a ser o arqui-inimigo do homem-morcego. Há limites, ditados pelo carácter comercial do género. Este arco foi interessante pelo revivalismo de outras histórias destas personagens, assumido numa narrativa que assentou em grande parte num recriar de antigas aventuras e que teve o seu clímax na edição #16, com um hiperviolento Joker a violentar heróis e vilões em nome da relação de gato e rato que Alan Moore estabeleceu entre os dois personagens em The Killing Joke. Este final é a conclusão necessária, pouco convicente, em que o bem triunfa apesar de dorido e com mazelas profundas e o mal é derrotado. O Joker e a sua cara a apodrecer desaparecem. Termina com uma homenagem subtil ao final de Killing Joke. Ha. Ha ha. Ha ha ha ha...


The High Ways #02: John Byrne a fazer muito bem aquilo que sempre fez bem - arquitectura futurista hiper-detalhada. A história é pura FC hard, com mistérios num espaço intra-solar que demora meses a atravessar.


The Manhattan Projects #09: estranheza insana é o normal nesta série estrita pelo subversivo Jonathan Hickman, cujo irrealismo é sublinhado pelo traço expressivo decadente de Nick Pitarra. Esta edição conclui o arco narrativo inicial com uma destituição dos poderes instituídos ao melhor estilo projectos Manhattan, ou seja, com violência surrealista irónica. Como se pode ver, Laika não só ladra como morde em grande calibre. E termina com a promessa de uma nova ordem mundial, onde o alvo da caricatura já não é a bomba atómica mas sim a corrida espacial dos anos 50. Depois de perverter toda a guerra fria, o que é que Hickman estará a reservar para a ida à lua?

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