terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Tubes




Andrew Blum (2012). Tubes: A Journey To The Center Of The Internet. Nova Iorque: Ecco.

O ponto de interesse deste livro é o olhar a internet com uma rara fisicalidade. Habituados à visão dos bits desincorporados, da informação digital como algo de etéreo e das virtualidades como uma atmosfera que nos rodeia, esquecemo-nos do carácter eminentemente físico da internet. Da espantosa, intricada, vasta e complexa infraestrutura global que liga computadores, servidores, fornecedores de serviços e utilizadores. Tubes mergulha-nos nesse mundo de vastos datacenters a surgir nas paisagens anónimas suburbanas, das cablganes de fibra óptica que se cruzam no subsolo e mergulham nos oceanos, nas matrizes de routers e servidores que formam o esqueleto oculto de silicone da etérea internet.

A viagem do autor aos locais invisíveis, aos não-locais, pensando na hipermodernidade de Marc Augé, mostra-nos o lado técnico da internet. Mas, fiel a um género jornalístico norte-americano, os detalhes económicos e de jogos financeiros entre rivais empresariais acaba muitas vezes por tirar lugar ao deslumbramento com a vastidão infraestruturual e a descoberta da complexidade da rede física. Blum não é um Stephenson, que no seu lendário Mother Earth, Mother Board quase romanceou precisamente o mesmo assunto. Mas Stepheson escreveu o seu empolgante relato global nos anos 90, quando o mundo se começava a conectar, e Blum vinte anos depois, na primeira década do século XXI. O mundo mudou, profundamente transformado pelo poder das redes que se alicerçam em geografias estruturais onde comunicação, história e tecnologia colidem à velocidade da luz.

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