segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Arquitectura e Algoritmos

Algorithmic Architecture from Plethora on Vimeo.

O fascínio do glitch tem a ver com a busca deliberada da imperfeição na iconografia digital. A computação sempre esteve envolta numa mística de perfeição. O computador faz melhor, a imagem digital é mais nítida, mais realista, hiperreal, indistinguível ou melhor do que a realidade, numa escalada de perfeição progressiva. A frieza desumana dos algoritmos subjacentes ao mundo digital é humanizada pelos seus erros, pelos desvios à norma, pelos surtos de imperfeição nos sistemas. Sabemos que são fugazes, erros que serão corrigidos em novas iterações dos algoritmos ou do software. Mas estão lá. Podem ser criados, manipulados e apropriados para uma nova estética que humaniza a fria lógica algoritmica. Que encarna o pixel perdido, a operação anómala, o pacote desaparecido nas entranhas da rede. Foram pensamentos que me ocorreram ao ver Algorithmic Architecture, pequeno filme que explora os erros no algoritmo de sobreposição de imagens que permite gerar uma visão contínua do espaço urbano através de milhões de fotografias tiradas pelos sistemas que mapeiam continuamente as ruas das cidades. Mais do que um aproveitamento de erros de representação, o filme procura ser uma meditação sobre a simbiose entre o homem e os algoritmos que elabora, que começam a modificar a forma da realidade que nos rodeia.

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