domingo, 8 de julho de 2012

Não-Lugares, Lx.

Um workshop simpático a partir de uma interpretação na vertente património do conceito de não lugar postulado pelo antropólogo Marc Augé. A minha tem mais a ver com asfalto, nós de cruzamento na via rápida, parques de estacionamento, estações de comboio, condomínios de cimento armado mal disfarçado pelas varandas de cores garridas e céus azuis riscados pelo rasto de aviões a jacto (preciosismos de um ballardiano assumido). Mas realmente atravessamos cidades mergulhados no solipsismo da nossa bolha individual e até o património histórico se torna invisível, algo que registamos na retina enquanto nos ocupamos mentalmente da traçagem do percurso entre ponto A e ponto B. O workshop foi também uma boa oportunidade de visitar locais icónicos no curto percurso entre a Rua da Escola Politécnica e o Largo de S. Carlos.


No museu de história natural, muito bem explorado durante a manhã. Sic transit mundi, ou dizer olá aos nossos antecessores.


Verde que engole o edifício degradado do observatório astronómico no jardim botânico sob céu chuvoso. A comparação com The Drowned World de J.G. Ballard é inevitável, reminiscente das descrições de cidades semi-submersas onde o verde da vegetação descontrolada esboroa os restos arquitectónicos que resistem à superfície das águas.


Num dos meus recantos favoritos do jardim botânico. Local para onde muitas vezes ia respirar nos velhos tempos em que era aluno de liceu.


No reservatório da patriarcal, toque de metal pesado, tecnologia robusta enterrada sob as ruas da cidade.


Atravessando as condutas que levam da patriarcal a s. pedro de alcântara, e continuam, entrecruzando a cidade de Lisboa numa teia invisível. A sombra é o efeito do movimento humano sobre o tempo de demora da captura da luz pelo ccd.


A colisão entre o barroco e o neoclássico no teatro nacional de s. carlos.


Onde os sonhos são construídos: o lado invisível do palco, traçado por cordame e contrapesos.

Cento e sessenta e tal fotografias com o meu venerável Xperia X1 ao longo do dia. Fotografar com telemóvel é um desafio. Não basta apontar e disparar, e não temos recursos como filtros ou profundidades de campo para brincar. Resta trabalhar com enquadramentos, massa, equilíbrio visual. Ter alguma sorte quando as condições de luz não são favoráveis ao ccd. E fazer algumas correcções de pós-produção. Normalmente restringo-me a mexer nas curvas de luminosidade para puxar o contraste ao meu gosto. E claro, algumas vão sofrer databending.
Uma selecção pode ser vista aqui.

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