sábado, 7 de julho de 2012

Terrarium

É uma honra ter estes traços na anteriormente imaculada página deste meu livro. Hoje João Barreiros referiu-se a este livro seu e de Luís Filipe Silva como a obra seminal e canto de cisne da ficção científica portuguesa. Terrarium é um dos melhores livros deste género que li e indubitavelmente a grande obra de FC em português. Se já tinha razões para o acarinhar o autógrafo dos autores torna-o ainda mais precioso. Ainda por cima descobri que é uma raridade. Recomendo a sua leitura, mas encontrá-lo será difícil ou mesmo impossível. Aparentemente, após a aquisição da Caminho pela editora Leya foi ordenada a destruição dos exemplares em armazém desta colecção. Se encontrarem algum exemplar esquecido num alfarrabista ou feira do livro agarrem-no, porque é muito bom e muito raro.

Li este livro no final do século passado. O preço ainda está rabiscado a lápis. 4.600$00. Ou quatro contos e seiscentos, na linguagem monetária extinta do escudo. Escrever estas frases dá um toque futurista... li-o quando estava a descobrir o acervo da FC portuguesa, a descobrir que havia escritores portugueses que escreviam tão bem e com ideias tão interessantes como os anglo-americanos. De todos João Barreiros emergiu como a voz mais importante do género. Mas estamos em portugal e as literaturas de género são desprezadas ou aproveitadas atabalhoadamente enquanto moda passageira. Por isso poucos são os que conhecem este autor e as suas obras, bem como o panorama geral da literatura. Mais um sintoma do clima sufocante que atrofia aqueles que por cá se atrevem a pensar de forma diferente.

Edit: parece que afinal quem lançou a ideia de livro seminal e canto de cisne foi o Rogério Ribeiro. Fica aqui a errata. Confesso que fiquei mais pelo seminal, que realmente o é. Certamente o melhor livro do género de sempre em portugal. Notem que não estou a falar de horror e outros géneros, mas sim de FC.

(É deprimente ouvir João Barreiros falar. Fico sempre com a sensação que li muito pouco e me falta ainda tanta leitura para ter uma cultura sólida de FC...)

5 comentários:

Rogério Ribeiro disse...

Mas, oh Artur, quem lhe chamou isso fui eu. Se tivessem sido os próprios pareceria vaidade, he he he! ;)

Abraço,
Rogério

Alexandra Rolo disse...

epá o senhor é uma biblioteca em forma de gente. pelo menos sabemos a quem pedir referências sobre o que ler... ainda que venham logo uns 30 de uma vez só xD

artur coelho disse...

Rogério, credit where credit is due. corrigido.
Alexandra, e 30 ficamos com a sensação que é assim uma pontinha do que nos iria sugerir...

João Campos disse...

"Aparentemente, após a aquisição da Caminho pela editora Leya foi ordenada a destruição dos exemplares em armazém desta colecção."

É por estas e por outras que Portugal só regrediu desde que foi abolido o salutar hábito da bengalada em público. Os tipos que ordenaram isto mereciam muitas no lombo.

artur coelho disse...

livros queimados faz-me lembrar flâmulas vermelhas sobre berlim. e todos sabemos no que isso deu...