Robert Silverberg (1962). A Semente da Terra. Expressão e Cultura.
Um curioso, algo esquecido e um pouco desajeitado livro dos tempos clássicos da Ficção Científica. A humanidade está a espalhar-se pelas estrelas num esforço de colonização. Todas as semanas, foguetões descolam da Terra para sulcar o espaço interestelar e depositar cinquenta casais de colonos em planetas habitáveis, numa viagem sem regresso. O problema, é que praticamente ninguém quer abandonar a sua confortável vida terrestre e construir um novo destino nas estrelas. A solução para isso é um sistema de lotaria, em que os felizes contemplados (bem, na verdade infelizes) tem de abandonar a sua vida, carreira e família para embarcar nas naves colonizadoras. Alguns, raros, têm a oportunidade de serem acompanhados pelos seus conjugues, mas para todos a receção da lotaria equivale a uma sentença de morte em vida. Não que a morte os espere nos planetas que irão colonizar, estamos nos tempos clássicos da FC onde era dado como adquirido que praticamente todos os planetas são habitáveis.
O livro é algo desconexo, divide-se em duas grandes secções. Numa, acompanhamos a resignação de alguns vencedores da lotaria, que irão embarcar numa nave com partida marcada, bem como o drama interior daqueles que têm como função administrar o sistema, e que não são imunes à frieza do mesmo. Na segunda metade os colonos são enviados a outro planeta, e abandonados à sua sorte (embora com as condições técnicas e materiais para sobreviver. O que poderia ser uma história de organização de sistema sociais em condições adversas torna-se uma bizarra aventura, quando dois casais de colonizadores são raptados pelos nativos do planeta e levados para uma caverna, onde irão ceder a todas as tensões até encontrarem forma de cooperar e regressar à incipiente colónia.