terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Guerras do Alecrim e Manjerona


António José da Silva (1975). Guerras do Alecrim e Manjerona. Porto: Porto Editora.

Uma delícia picaresca, texto de 1737, comédia onde a sensibilidade barroca colide com a mais clássica das emoções humanas - não o amor, mas a tesão. É uma história tão velha quanto a humanidade, rapazes que se agradam pela belas raparigas, e as artimanhas de que se socorrem para as catrapiscar. Mas neste Portugal barroco, as normas sociais obrigam a profundos exercícios de estratégia amorosa. Quando dois rapazes de nobreza suspeitosamente pobretana se cruzam com duas amáveis donzelas, começa um jogo de seduções onde o terno conflito entre plantas simboliza as leis da atração. A complicar os amores há o tio das donzelas, homem rico e rico homem muito cioso das suas sobrinhas, e o primo da província que vem importado das berças para escolher uma das donzelas casadoiras, embora esteja mais interessado nos encantos da criadita da casa. 

Não há amores sem um cupido e uma alcoviteira. São as desventuras do desenrascado criado dos nobres rapazes, homem de estratagemas mil e vezeiro nas artes do engate, que fazem o fio condutor desta peça clássica. Peripécias mil, encontros e desencontros, enganos e artimanhas formam esta versão hilarante da mais antiga ária da humanidade, a boa e velha cantiga do bandido.