sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Comics: Camilla; Michael Moorcock's Multiverse; Feria de Monstruos


Thomas Mosdi(2009). Camilla. Toulon: Soleil.

Uma luta milenar, entre mulheres detentoras de segredos e homens dogmáticos, num constante jogo entre as herdeiras de Ísis que se chamam filhas de Lilith, e os sacerdotes católicos que as perseguem. Um jogo que se desenrola ao longo dos séculos, e neste momento em particular, se centra nos dias sangrentos da Revolução Francesa, onde as filhas de Lilith manipulam os acontecimentos para provocar a queda de Robespierre. Visualmente interessante, desenhado no estilo académico comercial francês.


Michael Moorcock, Walter Simonson, Mark Reeve, John Ridgway (1999). Michael Moorcock's Multiverse. Nova Iorque: Vertigo.

Um mergulho no surreal universo partilhado que Moorcock criou para unir as suas criações, do espada e feitiçaria Elrik à aventura de Jerry Cornelius. Três histórias que se entretecem entre si, aparentemente díspares mas todas a convergir para o mesmo objetivo. Num futuro possível, jogadores com realidades e navegadores entre realidades enfrentam-se em bizantinas jogadas. No passado recente, o maior detetive inglês (não esse, o que Moorcock criou) investiga estranhos casos de assassinato onde o elusivo e albino Von Bek (um dos alter-egos de Cornelius, na tortuosa mitografia moorcockiana). No passado, Elrik atravessa desertos, auxiliado na sua demanda por um académico mouro e a sua filha. Todos convergem para um ponto, todos buscam Silverskin, o ser que está no nexo das buscas e em cuja mão poderá estar o destino dos universos. Surrealismo algo alimentado a ácido é o que Moorcock melhor fazia, e o estilo visual acompanha muito bem estas três histórias díspares, mas paralelas entre si.


Bruce Jones, Bernie Wrightson (1984). Feria de Monstruos. Toutain.

Tempos houve em que Bruce Jones era uma das promessas como argumentista de comics, especialmente nos de terror, era um mestre das histórias curtas de horror irónico. Esta feira monstruosa reúne algumas destas histórias, com dois pontos em comum: ter os monstros como tema, e serem ilustradas pelo lendário Bernie Wrightson. Só isso, poder deixar os olhos deliciarem-se com o traço de Wrightson, já faz valer a pena a leitura.

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